Isaura Daniel
São Paulo – A Arábia Saudita pretende investir US$ 650 bilhões em projetos de infra-estrutura, como construção de estradas, aeroportos e portos, entre 2006 e 2015. A informação foi dada ontem (23) pelo secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria de Riad, Hussein Al Athel, à delegação brasileira que está na capital do país árabe. Athel falou sobre o interesse da Arábia Saudita de que o Brasil participe desse processo.
De acordo com o secretário-geral da Câmara de Riad, o Brasil é atualmente um parceiro comercial prioritário para a Arábia Saudita, ao lado da China, Índia e África do Sul. "As empresas da China e da Índia já estão na Arábia Saudita. São grandes também as oportunidades para as empresas brasileiras", disse o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, que participou do encontro, liderado pelo embaixador do Brasil em Riad, Luís Sérgio Gama Figueira.
Ontem mesmo as duas construtoras brasileiras que participam da delegação, a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, tiveram encontros com sete grandes contratantes do setor de construção da Arábia Saudita. Alaby também está trazendo os contatos destas companhias ao Brasil para repassar às demais empresas do setor. Há atualmente dois grandes projetos de construção de portos com concorrências abertas no país árabe, um em Jeddah e outro em Dhahran.
As empresas que fazem parte da delegação brasileira, boa parte do setor de material de construção, estão tendo encontros com potenciais parceiros comerciais sauditas, o que deve render vendas e parcerias futuras. Entre os participantes da missão estão companhias como Docol, Braskem, Comexport, Granimex, Petrobras, além do Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais do Espírito Santo.
Mais comércio
O comércio do Brasil com a Arábia Saudita já vem crescendo. Nos dez primeiros meses deste ano, a corrente comercial entre dois países alcançou US$ 2 bilhões, o mesmo valor do total do ano passado. Os sauditas, porém, estão dispostos a intercambiar ainda mais.
Em reunião com representantes do Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ontem, o Saudi Britsh Bank e o Samba Financial Group do país mostraram disposição de conceder linhas de crédito para o comércio entre o Brasil e a Arábia Saudita. Os dois bancos brasileiros são integrantes da missão, cujas atividades se encerram hoje.
Novas ações
Representantes do Ministério de Comércio e Indústria saudita também sinalizaram, durante reunião realizada ontem com os brasileiros, a disposição de aumentar o relacionamento com o país. O grupo foi recebido pelo diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ministério, Ahmed Bedaiwi, e pelo diretor-executivo da Agência de Comércio Exterior, Fahd Al Shammary. Eles sugeriram que seja realizada uma exposição de produtos brasileiros no começo do próximo ano em Riad ou Jeddah.
O secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira também sugeriu aos sauditas, durante a reunião, a criação de uma comissão mista governamental e de um conselho empresarial entre os dois países para discutir aproximação comercial e investimentos conjuntos. Os representantes do ministério também convidaram as empresas brasileiras para participar de feiras das áreas de construção e alimentos na Arábia Saudita.
Vistos
De acordo com Alaby, no encontro com o secretário-geral da Câmara de Comércio de Riad, a delegação também solicitou que a Arábia Saudita facilite a entrada de empresários brasileiros no país por meio da simplificação da concessão de vistos. Os sauditas vão começar a conceder vistos no próprio aeroporto para empresários dos países integrantes da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e, de acordo com Alaby, os brasileiros querem um tratamento semelhante. "Vamos estabelecer contatos entre as duas Câmaras (Árabe Brasileira e de Riad) para aprofundarmos o tema e buscar uma solução", afirma.
Vacinas
O representante do Ministério da Saúde do Brasil na missão, Fabio Webbert Tagliari, esteve reunido ontem com o diretor geral de Doenças Parasitárias e Infecciosas do Ministério da Saúde saudita, Nasser Al Zueim, e o técnico da divisão de Vacinas, Mohamed Baksh, que demonstraram interesse em comprar vacinas brasileiras.

