Emirates News Agency*
Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) – A Área de Livre Comércio Árabe Ampliada (Gafta, na sigla em inglês), acordo ratificado por 18 dos 22 países da região, está abrindo caminho para a formação efetiva de uma zona de livre comércio de acordo com os padrões internacionais. A opinião é do presidente do Fundo Monetário Árabe (FMA), entidade vinculada à Liga dos Estados Árabes, Jassem Al Mannai.
"A Gafta vai estimular o comércio entre os países árabes, incentivar os investimentos regionais e estrangeiros e aumentar a concorrência nos mercados locais. Isso pode levar à criação de mais empregos e um crescimento maior das economias árabes", disse Al Mannai ao jornal Gulf News, dos Emirados Árabes Unidos.
Lançado em 1998, o acordo da Gafta entrou em vigor no dia 1° de janeiro deste ano. Do ponto de vista técnico, o fluxo de comércio entre os países árabes está isento de taxas desde esta data. "Isso significa que os produtos árabes vão pagar tarifa zero ao entrar em mercados da região. Os países árabes estão, portanto, caminhando em direção ao livre comércio, que é a tendência atual do comércio global", afirmou Al Mannai.
Na prática, porém, ainda há muito a ser feito. Ele alertou que os governos locais devem aplicar de forma efetiva a isenção de tarifas em todos os produtos importados de origem árabe. Al Mannai acrescentou que barreiras não tarifárias, como procedimentos alfandegários ineficientes e burocracia exagerada, são empecilhos à expansão do comércio intra-regional.
"Esperamos que os governos dos países árabes removam ou reduzam também essas barreiras, ao contrário será pequena a expansão do comércio", disse ele, acrescentado que o comércio entre as nações da região ainda é pequeno em relação ao total do comércio dos países árabes com o mundo.
O presidente do FMA separou as barreiras que atrapalham o comércio no mundo árabe em dois tipos. O primeiro é relacionado ao fluxo de bens e serviços e o segundo ao movimento de capital e de pessoas.
"Em relação ao movimento de bens e serviços, a Gafta foi uma grande conquista ao passo que ela elimina tarifas sobre produtos de origem árabe. Mas ainda há muito a ser feito na área de barreiras não-tarifárias, como regras de origem diferentes, que podem ser resolvidas na Organização Mundial do Comércio, da qual 11 países árabes são membros e outros seis estão negociando sua entrada", afirmou Al Mannai
Ele acrescentou que os governos locais devem negociar a liberalização do fluxo de serviços, principalmente nos setores de transportes, seguros, telecomunicações e financeiro. "Os países árabes também devem negociar um sistema de vistos temporários para as pessoas, sem contrariar as leis existentes", declarou.
Para ele, além de promover o comércio como um todo, a Gafta vai favorecer também o fluxo de mercadorias não ligadas ao setor petrolífero eles. "Muitos países árabes estão promovendo setores exportadores não ligados ao petróleo e vão ter maior acesso aos mercados da Gafta, o que pode ser um passo natural para então acessar os mercados mundiais mais competitivos", disse.
*Tradução de Silvia Lindsey

