Geovana Pagel
São Paulo – Nos primeiros dois meses do ano, a Argélia importou do Brasil US$ 6,5 milhões em leite em pó, dos tipos integral e desnatado. Em volume, foram 3,3 mil toneladas. "A Argélia é um grande importador de lácteos e o Brasil está conquistando cada vez mais esse mercado", afirma o presidente da Comissão Nacional da Pecuária de Leite da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim.
No ano passado, a Argélia foi o segundo maior importador de produtos lácteos brasileiros. Comprou US$ 10,6 milhões, em volume 5,5 mil toneladas, entre leite em pó e leite condensado. Ficou atrás apenas de outro país árabe, o Iraque, que importou US$ 12,8 milhões, cerca de 5,9 mil toneladas de leite em pó.
De acordo com números divulgados na última semana pela CNA, a receita obtida com as exportações brasileiras de produtos lácteos atingiu US$ 20,12 milhões no primeiro bimestre de 2005, resultado 254,4% superior aos US$ 5,67 milhões registrados em igual período do ano passado.
“Esses números comprovam a competitividade do setor leiteiro nacional”, diz Alvim. Em volume, as exportações de lácteos somaram 11,83 mil toneladas no primeiro bimestre, 148,6% a mais que as 4,76 mil toneladas de janeiro e fevereiro do ano passado.
“Temos produtos diferenciados, como o leite condensado, que não é fabricado em todos os países com tradição na área de lácteos”, destaca Alvim. Dados relativos exclusivamente ao mês de fevereiro indicam receita de exportação de US$ 8,6 milhões com lácteos, frente US$ 2,46 milhões em fevereiro de 2004.
Foram embarcados 5,27 mil toneladas de produtos, contra 2,23 mil toneladas no mesmo período do ano passado. “Os números provam que o Brasil conseguiu ampliar o número de destinos dos lácteos nacionais”, ressalta Alvim. A Angola comprou US$ 623 mil de leite condensado e a Coréia do Sul importou US$ 947 mil de mussarela do Brasil.
Balança negativa
No ano passado o país conseguiu deixar de ser um grande importador de lácteos e gerou excedente para exportações. Apesar das vendas terem aumentado no primeiro bimestre, o saldo comercial da balança de lácteos foi negativa em US$ 1,25 milhão, frente US$ 5,6 milhões em igual período do ano passado.“As exportações de lácteos estão em crescimento, mas a valorização do real frente ao dólar permitiu o aumento das importações”, observa Alvim.
No primeiro bimestre de 2005 as importações brasileiras de lácteos geraram despesa de US$ 21,37 milhões, contra US$ 11,27 milhões em janeiro e fevereiro do ano passado. “É preocupante a questão do câmbio, favorecendo as importações, o que não ocorreu no último ano. O que nos deixa aliviados é que as exportações permanecem em ascensão. Mas a continuidade desse crescimento depende de haver um reequilíbrio na taxa de câmbio”, diz Alvim.
O presidente da CNPL destaca ainda a importância de ações como a adoção de novo compromisso de preços mínimos de importação de leite em pó firmado com indústrias da Argentina, no final do mês de fevereiro “A medida (estabelecida pela Câmara de Comércio Exterior – Camex) evita uma possível retomada da prática de dumping, ou seja, a venda de lácteos com preços abaixo do custo de produção no mercado brasileiro”, explica Alvim.
De acordo com o dirigente, a medida atende solicitação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A primeira vez em que o Brasil adotou medidas antidumping na importação de leite em pó da Argentina foi em 2001, com duração de três anos.
Em fevereiro de 2004, ao final do período de vigência da primeira edição da medida de combate ao dumping, a CNA entrou com pedido de revisão do processo. "Desde que foram adotadas as medidas antidumping, Brasil e Argentina ampliaram suas exportações globais de lácteos, reforçando o Mercosul como pólo do setor", afirma Alvim.

