São Paulo – O embaixador da Argélia em Brasília, Djamel Bennaoum, está em São Paulo para conversar com empresas brasileiras com o objetivo de incentivá-las a se instalarem em seu país. Nesta terça-feira (17), ele teve reuniões com empresários na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
“Precisamos reforçar a presença das empresas brasileiras no mercado argelino, não somente no lado das relações comerciais, mas também para que elas se instalem na Argélia, façam investimentos e parcerias”, declarou o embaixador, em português. Segundo Bennaoum, há duas maneiras das companhias brasileiras entrarem na Argélia, a primeira pelo investimento direto com parceiros locais e a segunda pela participação em licitações estatais.
“Estamos no segundo plano quinquenal de reforço da economia. Ele prevê um financiamento, pelo governo, de mais de US$ 350 bilhões em ações e projetos para desenvolver a área social e a infraestrutura global, por exemplo, portos, estradas, moradia, etc.”, afirmou. De acordo com o embaixador, a Argélia tem espaço para a instalação de empresas de diversos setores.
“Na Argélia estamos fazendo um esforço grande para desenvolver o setor agrícola e precisamos de know-how para fazer crescer nossa produção”. Indústrias mecânicas, farmacêuticas, de mineração e construção pesada também são necessárias no país.
O embaixador afirmou que seu país oferece um ambiente seguro para as empresas. Ele disse que a Argélia está em um “aprofundamento da democracia”, tendo aprovado leis orgânicas que tratam sobre eleições, partidos políticos, participação das mulheres nas assembleias do país e sobre as comunicações.
Ele lembrou que a maior parte das relações econômicas da Argélia é com os países da União Europeia e diz que é preciso fortalecer os laços comerciais com o Brasil. “É preciso que os agentes econômicos brasileiros sejam mais ofensivos no mercado argelino, participando, por exemplo, do programa de desenvolvimento econômico”, destacou. “As empresas de construção brasileiras tiveram uma participação muito pequena nas licitações que foram feitas. Penso que uma presença maior e mais ofensiva neste programa de desenvolvimento é muito importante para ampliar esses laços.”
A participação em feiras na Argélia é uma das formas de as companhias nacionais conhecerem melhor o mercado local, afirma Bennaoum. O próximo grande evento deste tipo é a feira Djazagro, em Argel, voltada para o setor agrícola e de alimentos. “Penso que a Djazagro é muito importante para o Brasil, porque o País fez grandes progressos no domínio do agronegócio, então, é uma grande oportunidade para as empresas brasileiras mostrarem suas capacidades”, disse. A Câmara Árabe está organizando a participação de empresas brasileiras no evento, que ocorre de 23 a 26 de abril.
Além da área econômica, o embaixador destacou que existem outros segmentos nos quais Brasil e Argélia podem realizar parcerias, como cooperação técnica agrícola, transferência de tecnologia, intercâmbio universitário e turismo. “Estamos começando agora um grande programa de desenvolvimento turístico e precisamos de ajuda de países como o Brasil para criar um turismo ecológico, para preservar nossa natureza”, completou.
Balança comercial
Em 2011, as exportações brasileiras para a Argélia somaram US$ 13,83 bilhões. O valor foi 65,88% maior do que o de 2010. Os principais produtos vendidos aos argelinos foram açúcares, cereais e óleos vegetais.
Do outro lado, as importações brasileiras de produtos argelinos somaram US$ 3,13 bilhões, um crescimento de 32,84% sobre 2010. Os principais produtos da pauta foram petróleo e derivados, fertilizantes e cimento.
Bennaoum destacou que a Argélia poderia vender ao Brasil itens como tâmaras, vinhos e vidros.

