Algérie Presse Service*
Argel – O presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, pediu que as mulheres argelinas contribuam com a geração de renda em seu país. "Não é apenas a contribuição feminina em número de professoras ou médicas, mas no número de empresárias produzindo riquezas para seu próprio bem, para as suas famílias e para o país todo", declarou Bouteflika, durante uma cerimônia no sábado (08), Dia Internacional da Mulher.
"Convido as mulheres a participar da grande aventura do empreendedorismo, a melhor forma de permitir que participemos ativamente do desenvolvimento mundial", declarou. Bouteflika elogiou as mulheres que criaram empresas nos campos industrial, agrícola e de serviços. De acordo com ele, cinco mil empresárias já se beneficiaram de empréstimos feitos pela Agência Nacional de Microcrédito.
"Hoje mais de 1,2 milhão de mulheres argelinas exercem empregos – muitas vezes os mais qualificados – nos setores de educação, saúde, direito, policial e também no exército", disse Bouteflika. Ele acrescentou que, embora as mulheres representem apenas 15% da população economicamente ativa do país, seu número está crescendo em ritmo mais elevado do que o dos homens.
Bouteflika pediu também que os partidos políticos de seu país engajem as mulheres na vida política, oferecendo a elas oportunidades para concorrer em eleições e para ocupar cargos nas instituições do país. Bouteflika declarou que não se pode esperar que as mulheres exerçam algumas funções e não outras.
"O governo deve encarar este assunto muito sério, que deve ser encarado primeiramente pelos partidos políticos", declarou. "Quero dizer que a participação nos mais elevados escalões do governo, principalmente na Assembléia Nacional Popular (o parlamento do país) e no governo deve ser através das eleições", disse Bouteflika.
Ele lembrou que os argelinos recusavam a candidatura de mulheres nos anos 1970, mas que essa situação mudou. "Hoje as mulheres apresentam grande capacidade e conhecimento científico que permite que assumam todo tipo de responsabilidade." Para Bouteflika o progresso social e democrático das mulheres é "seu direito legal" e deve ser encarado com total liberdade e transparência.
Mundo de negócios
O presidente argelino afirmou que as mulheres que ingressaram no mundo dos negócios lutam todos os dias para se firmar em um setor que, poucos anos atrás, era apenas masculino. Segundo executivas entrevistadas pela APS, elas ainda encaram obstáculos por serem mulheres.
Lila, mãe de cinco filhos e proprietária de uma empresa têxtil em Argel, afirma que é difícil para mulheres de negócios aproveitarem oportunidades de investimento ou entrar em mercados maiores e conseguir financiamento. "É essencial que as mulheres sejam bem informadas para que possam participar das diferentes atividades econômicas", acrescentou ela.
Oportunidades de investimento estão disponíveis, segundo Nora Rebei, proprietária de uma agência de viagens em Bouira (122 quilômetros ao sul de Argel) desde 2003. Entretanto, segundo ela, "as mulheres muitas vezes têm medo de se arriscar em atividades empresariais". A empresária, que pretende abrir uma filial em Argel no futuro próximo, montou sua empresa no setor turístico, antes uma área exclusivamente masculina.
"Em 2004, fui a primeira mulher a lançar um serviço de camping, participando em uma licitação em Bejaia para a locação de um terreno", declarou Rebei, acrescentando que os empresários do setor, todos homens, viram a empreitada com maus olhos. "Hoje precisamos apenas da vontade, pois as mulheres conseguem alcançar as suas metas com maior facilidade", concluiu a executiva.
*Tradução de Mark Ament

