Argel e Túnis – A Randon, fabricante brasileira de implementos rodoviários, pretende entregar pelo menos US$ 30 milhões em produtos na Argélia este ano, com possibilidade das vendas chegarem a US$ 40 milhões. "No início, tivemos dificuldade em atender o mercado argelino por causa do real valorizado. Agora que o valor do real está mais ‘real’, conseguimos ser competitivos", disse à ANBA o diretor da empresa, Erino Tonon, que participa da missão comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
A companhia tem uma linha de montagem em Argel, em parceria com uma empresa local. Os veículos são enviados do Brasil desmontados para serem montados e comercializados no país árabe. Em 2009, a Randon deverá exportar ao mercado argelino no mínimo 1,5 mil semi-reboques em kits CKD (sigla para completely knocked down, algo como "completamente desmontado") e 10 caminhões pesados fora-de-estrada, esses já prontos para o uso.
Em 2008, mesmo com o real em alta durante boa parte do ano, os negócios da empresa na Argélia renderam US$ 25 milhões. O parceiro argelino é responsável pela montagem, distribuição e assistência aos veículos comercializados, sendo que a Randon fornece suporte técnico. Hoje três funcionários da companhia estão em Argel para treinar operários locais.
A Randon tem um negócio semelhante no Marrocos, onde são montadas cerca de 500 unidades por mês. Agora, segundo Tonon, ela negocia a implementação de uma parceria do gênero no Egito.
Na primeira etapa da missão, em Trípoli, na Líbia, Tonon fez prospecção do mercado para ver se existe a possibilidade de criar uma operação igual no país. E constatou que a oportunidade existe.
De acordo com o executivo, a Líbia é um mercado que cresce e deverá se tornar maior do que o Marrocos, apesar de ter uma população consideravelmente menor. Isso porque, segundo e executivo, o país tem uma demanda reprimida maior por produtos como os da Randon. Além disso, tem bastante petróleo, fonte de receitas abundantes.
Custo menor
Tonon acrescentou que a exportação de veículos desmontados é mais vantajosa, pois tem custos menores. Na Argélia, por exemplo, o imposto de importação sobre o veículo montado é de 30%, já o CKD paga 5%. O frete do Brasil ao país árabe para semi-reboques prontos é mais caro também.
A delegação, chefiada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, deixou Argel no final da tarde da quarta-feira (28) e chegou a Túnis no início da noite. Hoje os empresários participam de seminário e rodadas de negócios na capital da Tunísia.

