São Paulo – Os empresários argentinos esperam que a redução das taxas de comércio seja discutida durante a 2ª Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa), que vai ocorrer no final deste mês em Doha, no Catar. O secretário-geral da Câmara de Comércio Argentino-Árabe, Sattam Al Kaddour, afirma que as taxas de importação e exportação entre a Argentina e as nações árabes são muito altas. O país sul-americano exporta ao mundo árabe principalmente commodites e paga para isso taxas entre 20% e 35%. Al Kaddour sugere que elas sejam reduzidas para menos de 5% ou, se possível, para zero.
O secretário-geral vai participar do encontro em Doha pela Câmara de Comércio Argentino-Árabe. De acordo com ele, até agora a previsão é de que cinco empresários do país participem do fórum empresarial, que vai acontecer nos dias 29 e 30 de março, antes do encontro de líderes governamentais. Segundo Al Kaddour, os argentinos também esperam que sejam discutidas questões para facilitação do comércio, como a criação de bancos sul-americanos no mundo árabe e de bancos árabes nos países sul-americanos.
Mas segundo Al Kaddour, o principal fruto deve ser a aproximação entre os empresários árabes e sul-americanos. “Que se conheçam mais entre si. Sabemos que a relação ‘face to face’ é muito importante para os árabes”, diz o secretário-geral. Para isso mesmo vai ocorrer o fórum empresarial, que colocará em contato homens de negócios das duas regiões, com espaços de discussão e rodadas de negócios.
Desde a realização do último encontro de chefes de estado, em 2005, em Brasília, as exportações da Argentina para o mundo árabe mais do que dobraram. Passaram de US$ 1,3 bilhão, no ano da primeira cúpula, para US$ 4,5 bilhões no ano passado. Cerca de 75% dos produtos são commodities, como soja, trigo, milho, além de sorgo, pipoca e azeite. Al Kaddour afirma que também ajudou a incrementar o comércio o crescimento da população no mundo árabe. “Gerou uma maior demanda por alimentos”, diz Al Kaddour.
Diplomacia
O diretor da África do Norte e Oriente Médio do Ministério de Relações Exteriores da Argentina, José Pedro Pico, também afirma que o comércio e a cooperação da Argentina com os países árabes foram ampliados a partir da última cúpula. Houve maior contato entre os governos, com encontros de ministros e altos funcionários. “Influencia no crescimento das relações comerciais”, diz Pico. A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, fez, em novembro, uma viagem à Argélia, Líbia, Tunísia e Egito.
De acordo com Pico, um dos pontos de interesse da Argentina, que consta no documento final da Aspa, é o apoio do grupo aos argentinos na questão das Ilhas Malvinas, arquipélago que voltou a ser alvo de disputa entre a Argentina e a Grã-Bretanha. A Argentina vem pedindo à Grã-Bretanha para retomar o diálogo sobre o arquipélago.

