Isaura Daniel
São Paulo – O artesanato feito por índios de Roraima, estado que fica no norte do Brasil, vai começar a ser exportado. A produção de comunidades indígenas de seis municípios do estado começou a ser estruturada no início deste ano e já há compradores da França e Itália interessados em adquirir as peças produzidas por eles.
Os índios fazem artigos como chapéus, bolsas, fruteiras, bomboneiras e porta-celulares a partir da vegetação local, como tala de arumã, cipó e fibra de buriti. Uma empresa de Roraima, que tem contatos com importadores europeus, foi quem prospectou o mercado e está negociando a exportação para os franceses e italianos.
Esse já é um dos resultados do projeto Inkama, levado adiante pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em conjunto com outras instituições, com o objetivo de organizar a produção local. Desde o início do ano, oito comunidades das cidades de Uiramutã, Pacaraima, Bonfim, Boa Vista, Amajari e Normandia, recebem capacitação nas áreas de produção, trabalho em equipe, gestão e preservação ambiental.
São cerca de 150 artesãos indígenas participando dos treinamentos. Os cursos operacionais são ministrados pelos próprios artesãos das comunidades. "Foi detectado que os índios nem sempre passam o seu conhecimento em artesanato para os filhos", explica a gestora do projeto pelo Sebrae, Luiza Maura de Faria. Esses cursos têm por objetivo passar as técnicas para um maior número de índios e principalmente para os mais jovens.
O curso de gestão pretende dar noção de negócios para os indígenas e o de preservação ambiental ensiná-los a produzir de forma sustentável, já que a matéria-prima do artesanato normalmente é extraída da natureza. Os responsáveis por esse curso são a Fundação de Meio Ambiente e Tecnologia (Femat) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), parceiros no programa.
Também participam do projeto Inkama, que quer dizer "reviver" ou "renovar" na língua indígena macuxi, organismos como a Fundação Nacional do Índio (Funai), a Secretaria do Índio e a Secretaria do Trabalho e Bem Estar Social de Roraima.
Por meio do projeto, a produção dos índios de Roraima já foi levada neste ano, com a ajuda do Programa de Artesanato de Roraima (Par), a dois espaços de exposição e comercialização: o Salão do Turismo – Roteiros do Brasil, em São Paulo, e à Feira Internacional do Artesanato (Feiarte), no estado do Paraná.
As viagens já começaram a render frutos. O grupo está fornecendo suas peças para varejistas de São Paulo e para lojas de artesanato do próprio estado de Roraima. Luiza Maura acredita que em torno de 300 a 400 produtos tenham sido comercializados desde o início do ano. "Mas queremos aumentar em 30% as vendas e o número de indígenas envolvidos no trabalho", diz a gestora do Sebrae.
O projeto Inkama terá a duração de três anos. Os grupos que participam do programa são das etnias macuxi, wapixana, ingaricó e taurepang.
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Sebrae – Roraima
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E-mail: luiza@rr.sebrae.com.br

