Marina Sarruf
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São Paulo – As peças artesanais das irmãs alagoanas Ana Maia e Rosa Piatti poderão ganhar um showroom em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Atualmente, cerca de 40 peças estão expostas dentro de um escritório de arquitetura e decoração do emirado. Segundo o gestor de negócios internacionais da empresa de Ana e Rosa, a Viver de Arte, Gustavo Paiva, a idéia é primeiro avaliar se existe um grande interesse pelo artesanato brasileiro para depois abrir o showroom.
A descoberta do artesanato da Viver de Arte por uma empresária e arquiteta de Dubai se deu em novembro de 2007 na Index, maior feira de móveis e decoração do Oriente Médio. A empresa nordestina participou do evento pela primeira vez em 2007 e levou cerca de 200 peças, como luminárias, painéis em lona e madeira, tapetes de lona, bancos, mesa, espelho, poltrona, puffs, bandejas, porta trecos, revisteiro, bolsas de couro e lona e conjunto de xícaras e canecas. “Tudo é feito à mão e com material reciclado, como lona de caminhão, resto de linha, madeira MDF e couro reciclado”, disse a design Ana Maia.
Segundo ela, a feira de Dubai foi uma novidade para elas. As artistas, que estão no mercado desde 1995, já participaram de mais de 40 feiras no exterior. Com muito esforço e criatividade, as peças das irmãs já são exportadas para os Estados Unidos, França, Espanha, Portugal, Itália, Inglaterra, Bélgica, Luxemburgo e Países Baixos. “Saímos de um fundo de quintal para o mundo”, disse Ana.
De acordo com Paiva, durante a feira, também foram realizados muitos contatos com compradores da Arábia Saudita, Kuwait, Omã, Egito, Síria, Bahrein, Catar, entre outros. “Vendemos 80% de nosso mostruário”, disse o gestor de negócios da Viver de Arte. Segundo ele, grande parte dos contatos foi de empresas interessadas em expor os produtos em galerias de artes de países árabes, principalmente os painéis artísticos. “Pretendemos participar da próxima edição. Dessa vez foi a nossa apresentação ao mercado árabe. Voltaremos mais experientes e prontos para o mercado local”, acrescentou.
Conceito ético
As irmãs, que são formadas em arquitetura por influência da mãe arquiteta, começaram a produzir suas peças com a ajuda de duas pessoas. Hoje são mais de 100 na equipe, que é composta por homens e mulheres de pequenas empresas, Organizações Não-Governamentais e comunidades carentes de Maceió, em Alagoas, sede da empresa. A primeira grande feira que as artistas participaram foi em São Paulo, onde no segundo dia venderam todas as peças. “Foi aí que percebemos que a gente tinha que formar uma equipe maior para produzir”, disse Ana.
De acordo com ela, são produzidas cerca de 600 peças por mês, sendo que metade é destinada ao mercado externo. No atelier das designers trabalham 55 pessoas, o restante, que inclui costureiras, serralheiros, sapateiros, entre outros, são terceirizados. “Nós idealizamos a peça e damos o acabamento final”, afirmou Ana.
Todas as peças das artistas são criadas com um conceito ético. Segundo Ana, as peças são desenvolvidas baseadas nos conceitos de sustentabilidade ecológica e justiça social. “Nosso produto é diferenciado e tem alto valor agregado”, disse. As irmãs, que têm uma loja em Maceió, também trabalham em parcerias com grandes empresas para criação de alguns produtos. Atualmente estão trabalhando com uma fabricante de artigos de mesa, cama e banho.
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