Da redação
São Paulo – "A política econômica ortodoxa do presidente esquerdista do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, obteve sucesso ao reduzir a inflação, estabilizar a taxa de câmbio e balancear o déficit em conta corrente em 2003". A frase é o início de um artigo publicado pelo jornal árabe Khaleej Times no início do ano.
O artigo, escrito pelo jornalista brasileiro Mario Osava, lembra que Lula "surpreendeu seguidores e companheiros adotando políticas econômicas conservadoras", mas diz que essa orientação "reavivou" a economia local.
"A confiança do mercado financeiro no Brasil aumentou, o que foi refletido pela recuperação do fluxo de crédito externo e pela redução do risco-país para cerca de 500 pontos, depois de ter chegado a 2,4 mil pontos na esteira das eleições presidenciais de 2002, em que Lula, um ex-sindicalista, foi eleito".
Para o jornalista, o governo Lula foi capaz de superar o que chamou de "legado perverso" da administração de Fernando Henrique Cardoso: a inflação descontrolada, a forte desvalorização do real e a falta de balanço nas contas públicas. "O triunfo converteu o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, um ex-trotskysta, no homem-forte da equipe econômica de Lula", escreveu Osava.
Na seqüência, o artigo retoma alguns números da economia brasileira no ano passado, como o superávit recorde da balança comercial, o crescimento de 20% das exportações e o saldo positivo em conta corrente. Ressalta, porém, que o "sucesso macroeconômico" foi pontuado pelo aumento do desemprego, pela "queda de 13% da renda dos trabalhadores", por taxas de juros elevadas, que "podem passar dos 100% ao ano para pessoas físicas" e pelo crescimento de apenas 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB). "Isso significa que o PIB per capita diminuiu, já que a população aumentou 1,4%".
"Para este ano, espera-se expansão de 3,5% do PIB, mas economistas da esquerda sustentam que esse nível não será atingido a menos que o governo mude a política econômica", afirma o jornalista. "Outros dizem que uma taxa de 3,5% não será suficiente para reduzir o desemprego", que passou de 10,5% para 13% da população economicamente ativa desde que Lula assumiu o governo.
O artigo ressalta, porém, que apesar dos números negativos, o presidente "continua popular". "A última pesquisa feita pelo diário Folha de S.Paulo entre os dias 8 e 15 de dezembro mostra que 42% dos entrevistados classificou o desempenho de Lula como excelente ou bom". Para Osava, o presidente "demonstrou habilidade para manter vivas as esperanças que gerou como candidato em 2002".
O jornalista conclui que "Lula termina seu primeiro ano de mandato com o reconhecimento de economistas e da opinião pública, apesar de persistirem as críticas de que ele se moveu demais para o centro e, portanto, muito longe das expectativas geradas pela ascensão ao poder do esquerdista Partido dos Trabalhadores".
Não é a primeira vez que Lula aparece com destaque na imprensa árabe. Desde que anunciou sua ida ao Oriente Médio e Norte da África, no final do ano passado, o Brasil vem sendo tema recorrente de várias reportagens na mídia local. No final de janeiro, por exemplo, a agência de notícias Emirates News Agency destacou o discurso feito por Lula em Genebra, durante o seminário organizado pelo governo brasileiro para investidores estrangeiros.
A agência destacou a intenção do presidente de atrair recursos árabes para o país. "Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o mundo árabe tem um grande potencial para investir no Brasil".

