Isaura Daniel
São Paulo – Os fabricantes brasileiros de componentes para couros, calçados e artefatos vão buscar novos negócios em quatro países árabes nos meses de fevereiro e março. O consultor Daniel Schnorr, representante da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) para o continente africano, vai fazer duas viagens ao mundo árabe entre o final de fevereiro e o começo do março. Uma será para o Sudão e o Egito e outra para a Tunísia e o Marrocos, além do Senegal, que não é árabe.
"A idéia é fazer contatos com indústrias e distribuidores para tentar fazer negócios", afirma o consultor. De acordo com ele, já há visitas planejadas a cerca de dez empresas. Elas são resultado de contatos anteriores, em feiras internacionais, feitos pela Assintecal. Na Tunísia, Sudão e o Marrocos, a entidade convidará os empresários locais a participar da Fimec, feira do setor de componentes de calçados que vai ocorrer em abril, em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.
Eles serão convidados para participar da mostra pelo projeto comprador levado adiante pela Assintecal em conjunto com a Agência de Promoção das Exportações e Investimentos do Brasil (Apex), ligada ao governo brasileiro. O projeto banca a viagem e a hospedagem dos estrangeiros na feira. Eles são escolhidos de acordo com a sua potencialidade para realizar negócios com as fábricas nacionais. A Assintecal também já convidou, informalmente, empresários da Síria para participar da Fimec pelo projeto.
O convite foi feito a representantes da Associação de Produtores de Couro e Calçados de Aleppo, na Síria, com os quais a Assintecal teve contato durante uma feira do setor no Cairo, Egito, no final do ano passado. A idéia, segundo Schnorr, é que os sírios participem da Fimec e depois, em agosto, empresários brasileiros participem da Lestex 2007, exposição de indústrias de couro e calçados do país árabe.
Mais vendas
Os produtores de componentes para couro e calçados estão investindo fortemente no mercado árabe. O trabalho já tem rendido frutos. No Egito, por exemplo, o setor já conseguiu dois distribuidores, um em Alexandria e outro no Cairo. A Assintecal assinou um acordo de cooperação com os egípcios em 2005 para incentivar a venda de matérias-primas brasileiras à industria local de couro e calçados. A Assintecal assinou um acordo similar com a Tunísia no ano passado. De lá para cá, segundo Schnorr, pelo menos seis empresas brasileiras passaram a exportar para os dois países.
Agora a Assintecal pretende avançar também para outros mercados árabes, como a Síria, o Marrocos e o Sudão. Na viagem ao Sudão, diz o consultor da entidade, já está prevista a visita a uma fábrica de calçados e a um curtume de grande porte, interessados nos insumos nacionais. O curtume, de acordo com Schnorr, produz seis mil peles de caprinos e 500 peles de bovinos por dia.
Os produtores estão otimistas quanto aos futuros negócios com o mundo árabe. Os insumos nacionais, diz Schnorr, são uma alternativa aos produtos que as empresas árabes compram da Europa. O consultor afirma que apesar da distância, o Brasil tem condições de competir com os europeus e ganhar mercado no mundo árabe. A Assintecal está participando da 34ª Couromoda, Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e Artefatos de Couro, que começou na segunda-feira (15) e segue até a quinta-feira (18) no Parque Anhembi, em São Paulo.
Exportação
As exportações brasileiras de calçados terminaram o ano de 2006 com queda. Os números foram disponibilizados ontem (16) pela Associação Brasileiras da Indústrias de Calçados (Abicalçados), na Couromoda. O faturamento com as vendas externas de calçados recuou 2%, para US$ 1,854 bilhão, e o volume também diminuiu 5%, para 179,7 milhões de pares.
Os produtores enfrentaram dificuldade de exportar em função da valorização do real frente ao dólar.O preço médio do calçado brasileiro cresceu 3% no ano passado se comparado a 2005. Ele ficou em US$ 10,31 contra US$ 9,97 no ano anterior.
As exportações para os países da Liga Árabe também caíram. Saíram de US$ 31,71 milhões em 2005 para US$ 30,52 milhões no ano passado. A queda foi de 3,7%. O número de pares vendidos caiu de 3,5 milhões em 2005 para 2,9 milhões em 2006, recuo de 17%. A maior queda ocorreu nas compras da Arábia Saudita. Também compraram menos Bahrein, Omã, Catar e Mauritânia.
Alguns mercados, porém, aumentaram as compras. É o caso dos Emirados, Kuwait, Egito, Líbano, Marrocos, Jordânia e Tunísia. Também aumentou o número de países árabes que importaram calçados do Brasil. Além dos doze citados acima, que compraram em 2005 e em 2006, se inseriram na lista do ano passado a Argélia e a Síria. Os argelinos compraram quatro mil pares e os sírios 10,7 mil.

