São Paulo – Representantes da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) realizaram uma visita técnica ao metrô de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, no último dia 28. O objetivo da visita foi conhecer os sistemas de operação e manutenção do metrô local.
A ANPTrilhos é uma associação civil que congrega todas as operadoras de trens de passageiros e metrôs do Brasil, incluindo os trens turísticos. Na visita a Dubai, Roberta Marchesi, superintendente, e Rodrigo Vilaça, diretor-executivo da associação, foram ao centro de controle operacional, ao centro de manutenção e fizeram todo o percurso da linha do metrô do emirado. Eles foram recebidos por John Grainger, chefe de Planejamento e Performance, e por Steve Morrison, gerente de Operações do metrô de Dubai.
“O metrô de Dubai é todo automatizado, operando com o sistema driverless (sem condutor). É o maior metrô do mundo em extensão operando com esse sistema”, explica Marchesi. Segundo ela, o Brasil passa por um momento muito bom de planejamento e expansão dos sistemas de transporte de passageiros sobre trilhos, com a construção de novas linhas e a modernização das mais antigas. De acordo com a superintendente, o sistema driverless deve passar a ser utilizado nas novas linhas que serão instaladas aqui no Brasil.
“É uma tendência em todo o mundo a implantação desse tipo de sistema. Ele opera com mais segurança e mais controle, além de diminuir o intervalo entre um trem e outro”, afirma. Marchesi destaca que essa redução no tempo de intervalo é um dos principais diferenciais das linhas operadas sem condutor. “Com isso, se disponibiliza um maior número de trens e maior número de assentos, especialmente nos horários de pico”, conta.
Nas linhas em que se utiliza condutor, o intervalo mínimo entre os trens é de 90 segundos, enquanto nas linhas sem condutor esse tempo cai para 60 segundos. “Isso aumenta o número de passageiros transportados e há também uma série de questões de manutenção que são simplificadas. Há uma melhora na regularidade do serviço, faz com que os trens cheguem no horário. Há uma série de ganhos em todas as áreas”, ressalta a superintendente.
Marchesi destaca que o metrô de Dubai é referência em todo o mundo na operação de sistema sem condutor. No Brasil, ela explica, esse sistema só é utilizado atualmente na Linha 4 – Amarela, no metrô de São Paulo. A Linha Amarela é a única do metrô paulista que não é operada pelo governo do estado e sim por um consórcio de empresas privadas, a ViaQuatro.
A superintendente afirma que, para que a implementação do sistema driverless seja feita nas outras linhas, é preciso que a mudança ocorra de forma gradual. “Para operar no sistema driverless tem que ter todo um sistema operacional diferente. Não é simples e não é um investimento barato, mas é possível”, diz.
No próximo mês, a ANPTrilhos irá realizar uma assembleia na qual os membros poderão ver vídeos e fotos da visita ao metrô do país árabe, além de tirar dúvidas sobre seu funcionamento.


