Da Agência CNI
Brasília – A atividade industrial brasileira se manteve estável em junho. As vendas do setor cresceram 0,3%, o emprego teve leve queda de 0,01% e as horas trabalhadas na produção recuaram 0,04% em junho na comparação com maio, na série livre de influências sazonais. As informações são da pesquisa Indicadores Industriais, divulgada hoje (14) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Em relação a junho de 2005, as vendas caíram 3,75%, o emprego cresceu 1,29% e as horas trabalhadas na produção tiveram queda de 1,15%. Boa parte desse resultado se deve ao efeito calendário, porque junho de 2006 teve menor número de dias úteis do que junho de 2005, por causa do feriado de Corpus Christi e dos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
Entretanto, os técnicos da CNI destacam que o desempenho de junho mostra que a indústria segue uma trajetória de crescimento moderado. "A economia não consegue entrar em um ritmo mais forte de crescimento", observou o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. Segundo ele, isso ocorre porque os juros permanecem altos e a carga tributária também se mantém elevada, na faixa de 38% do Produto Interno Bruto (PIB).
Além disso, lembrou Castelo Branco, o aumento dos gastos públicos impede os investimentos na recuperação e na modernização da infra-estrutura. "A falta de investimentos impede a aceleração do ritmo de crescimento da economia", afirmou Castelo Branco.
A pesquisa da CNI informa que, no acumulado do primeiro semestre, as vendas industriais caíram 1,49%, o emprego aumentou 1,42% e as horas trabalhadas na produção cresceram 0,66% em relação ao mesmo período de 2005. A retração nas vendas, segundo os técnicos da CNI é resultado da forte valorização do real frente ao dólar, que derrubou o faturamento dos exportadores. De acordo com os Indicadores Industriais, o real se valorizou 15% em média no primeiro semestre de 2006 em relação a igual período de 2005.
O economista da CNI, Paulo Mol, reafirmou que o consumo interno continua sendo o motor da economia em 2006. Ele lembrou que os números da indústria no segundo trimestre do ano confirmam o crescimento da atividade. As vendas do setor aumentaram 0,39%, o emprego cresceu 1,03%, as horas trabalhadas na produção tiveram expansão de 1,88% em relação ao primeiro trimestre. A utilização da capacidade instalada se manteve em 81,7%, o que afasta o risco de eventuais gargalos na produção.
Os técnicos da CNI dizem que a melhoria nas condições de crédito, a boa situação do mercado de trabalho e o aumento da renda da população manterão o consumo em alta no segundo semestre. Esses fatores, associados ao aquecimento da economia proporcionado pelas eleições, manterão o ritmo moderado de crescimento da atividade industrial no segundo semestre.

