Alexandre Rocha
São Paulo – O aumento do comércio entre o Brasil e os países árabes, especialmente com o Líbano, deverá incentivar também o trânsito de pessoas e, conseqüentemente, a procura pelo vôo entre São Paulo e Beirute que será criado no dia 17, fruto de uma parceria entre a brasileira TAM e a libanesa Middle East Airlines (MEA). Essa é opinião do diretor de serviços aos passageiros da TAM, Sérgio Jardim.
"Toda vez que a atividade econômica aumenta, aumenta também a procura por transporte aéreo. O crescimento do comércio bilateral tem grande importância para o segmento", disse o executivo à ANBA. Em sua opinião, só a existência do acordo entre as duas companhias já deve gerar uma maior procura de passagens para o Líbano. "Normalmente, quando ocorre um acordo entre duas empresas, que diversifica destinos, há um aumento no tráfego", acrescentou.
As exportações brasileiras para o Líbano renderam US$ 34,5 milhões no primeiro semestre deste ano, contra US$ 22,5 milhões no mesmo período de 2003, o que significa um aumento de mais de 53%. Para os países árabes em geral os embarques brasileiros renderam US$ 1,86 bilhão nos primeiros seis meses do ano, ante US$ 1,056 bilhão no mesmo período de 2003, um crescimento de 76%.
Jardim acrescentou que a presença de uma enorme colônia libanesa no Brasil deverá ser um fator a mais para o eventual sucesso da nova rota. Estima-se que cerca de 10 milhões de árabes e descendentes vivam no Brasil, em sua maioria libaneses e sírios. "Eles podem formar um fluxo forte e isso aponta para um certo movimento", afirmou.
Ele acrescentou, porém, que é difícil prever qual será o número inicial de passageiros interessados em voar de São Paulo para Beirute e vice-versa. "Hoje não existe uma ligação direta entre os dois países, as conexões são feitas na Europa por várias empresas", disse. Isso, em sua opinião, dificulta a obtenção de estatísticas sobre o fluxo de passageiros.
Preço competitivo
Um outro fator de atração, de acordo com Jardim, será o preço da passagem que, em sua opinião, será "competitivo". A tarifa vai girar entre US$ 1.050 e US$ 1.350. "Lógico que o preço vai depender da época da viagem e da classe da tarifa, poderá ser um pouco mais alto, ou um pouco mais baixo, mas será competitivo", garantiu.
Só para se ter uma idéia, segundo ele, a tarifa mais baixa praticada pela TAM em um vôo entre São Paulo e Paris, nesta época do ano, é de cerca de US$ 900. A diferença de preço não é tão grande porque a distância e duração do vôo entre São Paulo e Paris (12 horas) são muito maiores do que entre Paris e Beirute (3h30). Na parceria fechada entre as duas empresas, a TAM será responsável pelo trecho entre São Paulo e a capital francesa e a MEA pela perna de Paris a Beirute.
A companhia brasileira opera hoje 10 vôos semanais para Paris. O acordo vai permitir que o passageiro "abra" a passagem na ida ou na volta, sem que nada seja cobrado a mais. Ou seja, o turista vai poder passar alguns dias na capital da França, se quiser.
Mas a coisa não vai parar por aí, a parceria entre a TAM e a MEA deverá evoluir em pouco tempo para um sistema de "código compartilhado", ou "code share", como se diz no jargão do setor. Isso, de acordo com Jardim, vai facilitar a vida principalmente dos agentes de viagem, que poderão fazer uma reserva entre São Paulo e Beirute como um só pacote e não marcar uma passagem da capital paulista a Paris e outra entre a cidade francesa e Beirute, como ocorrerá no primeiro momento.
Emirados
Até o final do ano o Brasil deverá contar com mais uma rota aérea para os países árabes. É que as autoridades aeronáuticas do Brasil e dos Emirados Árabes Unidos fecharam em junho um acordo aéreo que permite até 14 vôos semanais entre os dois países. A Emirates Airlines já manifestou a intenção de criar uma linha entre Dubai e São Paulo e, se houver demanda, uma outra entre Dubai e o Rio de Janeiro.
A princípio, a companhia dos Emirados deverá operar a rota sozinha. Mas Jardim acredita que a TAM poderá oferecer conexões para outras cidades do Brasil a passageiros vindos de Dubai. Além disso, em sua opinião, a criação de uma outra rota aumenta as opções de "vender" o mundo árabe como destino turístico e de negócios.
"O vôo da Emirates nos permitirá também conhecer melhor o potencial de tráfego com a região e, com certeza, vai provocar um aumento no movimento de passageiros", concluiu.

