São Paulo – As exportações de soja em grãos aumentaram 115% no primeiro trimestre deste ano sobre o mesmo período de 2011, mas o número não significa uma reversão nas previsões ruins para a commodity em 2012. De acordo com o diretor da Brasoja Corretora de Cereais, Antônio Sartori, o aumento é sazonal por questões de logística e estratégias de comercialização, mas não quer dizer que há um crescimento consistente nas exportações do produto. “Não muda nada na balança anual”, diz.
Números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) indicam que as vendas da oleaginosa no exterior alcançaram 6,8 milhões de toneladas e receita de US$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre. O crescimento, em dinheiro, foi de 99% sobre janeiro a março de 2011.
Mas a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) estima exportações de 32 milhões de toneladas em 2012 (ano civil), com queda de 3% no volume, e receitas de US$ 14,7 bilhões, também uma diminuição sobre 2011, mas de 10%.
A Abiove prevê também recuo no preço da tonelada neste ano, de US$ 495 para US$ 460. Notícias recentes sobre problemas climáticos nos Estados Unidos, porém, devem reverter a previsão de preços menores, já que alguns estados norte-americanos enfrentam aquela que deve ser a sua maior seca desde 1930. O clima seco poderá trazer prejuízos à safra de soja e com isso jogar para cima os preços da commodity no mercado internacional.
A exportação brasileira, no entanto, deve cair independentemente do preço, já que o País enfrentou sérios problemas de seca na região Sul, o que afetou a produção. O Rio Grande do Sul, que colheu na safra anterior 12,5 milhões de toneladas, não deve tirar das lavouras mais que seis milhões de toneladas no período 2011/2012. A Brasoja trabalha com a previsão de 67 milhões de toneladas de grãos de soja para a atual colheita no Brasil. Isso significaria queda de 10,6% sobre a safra anterior.
Em seu último levantamento, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê safra de 68,75 milhões de toneladas, inferior em 8,7% sobre a colheita 2010/2011. A estimativa, que é de março, teve, inclusive, recuo de 0,69% sobre o levantamento anterior, de fevereiro, já que houve prolongamento da estiagem nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná. A área de plantio é de 24,97 milhões de hectares, com alta de 3,3%.

