Marco Bahé
Recife – Na última semana, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, enviou uma mensagem ao mundo sob o tema "Não façamos das terras (semi) áridas desertos!". Tratou-se de mais uma ação da ONU para chamar a atenção para o processo contínuo e preocupante de desertificação a que estão submetidas vastas áreas de terra no mundo.
O grau de urgência em tratar desses assuntos levou as Nações Unidas a proclamar 2006 como o Ano Internacional dos Desertos e Desertificação – AIDD. O objetivo é apresentar a desertificação como a principal ameaça à humanidade, reforçada pelos cenários de mudança climática e perda da biodiversidade.
A desertificação é um dos mais alarmantes processos de degradação ambiental do mundo. A cada ano, a desertificação e seca causam perdas da ordem de US$ 42 bilhões na agricultura. Os riscos da desertificação são substanciais e claros. Eles contribuem para a insegurança alimentar, fome e pobreza, e podem aumentar as tensões sociais, econômicas e políticas que, por sua vez, causam conflitos, mais pobreza e degradação da terra.
Durante o a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+10), realizada no ano de 2002, em Johannesburgo, a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (CDD) foi reconhecida como o instrumento fundamental para erradicar a pobreza nas áreas rurais das terras secas.
A CCD, ratificada por 191 países, é o instrumento legal que trata do problema da degradação da terra ou desertificação em áreas rurais localizadas nas terras secas (climas áridos, semi-áridos e subúmidos secos), as quais cobrem cerca de 5,1 bilhões de hectares, em todos os continentes. Deste total, 1 bilhão de hectares estão sujeitos à desertificação.
De acordo com dados da Programa da ONU para o Meio Ambiente (UNEP), cerca de 22,27% desta área está degradada. Entretanto, quando inclui-se pastagens com vegetação degradada (2,57 bilhões de hectares), este valor passa para 72%.
América Latina
Cerca de 2 bilhões de hectares de solo, equivalente a 15% da superfície terrestre da Terra, área maior que os Estados Unidos e México juntos, tem sido degradados por atividades humanas. A região da América Latina e Caribe tem a maior reserva de terra arável do mundo, estimada em 576 milhões de hectares (30% do território). A região também contém 16% do total de 1,9 bilhões de hectares degradados, ficando atrás apenas da Ásia e África.
Com a adoção, em 1994, da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, o assunto da desertificação ganhou reconhecimento, embora em menor escola quando comparado com a perda da diversidade e as mudanças climáticas, assuntos das Convenções de Biodiversidade e Mudanças Climáticas, também da ONU.
A desertificação é um desafio global, assim como o são a mudança climática e a perda da biodiversidade. Entretanto, a desertificação recebe ainda pouca atenção se for levada em conta a magnitude do problema e é pouco entendida pela maior parte das pessoas. "A desertificação é um processo difícil de reverter, mas que pode ser prevenido", disse Annan em sua mensagem.
Para alcançar uma estratégia comum para a celebração do Ano Internacional dos Desertos e da Desertificação, é importante um esforço concentrado em todos os níveis para elevar a consciência sobre a desertificação e sobre a mitigação dos seus efeitos, de maneira que a população que vive nas terras secas tenha condições de vida dignas.

