São Paulo – O mercado brasileiro de aviação executiva está crescendo. Hoje a frota é de 1.650 aeronaves (aviões e helicópteros) e a Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag) estima um crescimento de 10% ao ano. “O crescimento da economia, a internacionalização das empresas, a valorização do real e a descentralização da economia levam a esse crescimento”, afirmou ontem (23), em São Paulo, o presidente da Abag, Rui Thomaz de Aquino.
No mundo, são vendidas cinco mil aeronaves executivas por ano. No Brasil, a frota é dividida em 350 jatos, 650 aviões turboélice e 650 helicópteros, sendo que na América Latina o país tem o maior mercado desse segmento, seguido do México, Venezuela, Argentina, Colômbia e Chile.
O preço médio de um jato executivo para três pessoas e com capacidade para percorrer dois mil quilômetros, por exemplo, é de US$ 1,5 milhão. Já uma aeronave maior, com capacidade para 19 pessoas e com autonomia de 15 mil quilômetros, custa cerca de US$ 60 milhões.
De acordo com Aquino, a expansão da aviação executiva, e seu uso cada vez maior por empresários que precisam se deslocar de uma cidade ou estado para outro, reflete a baixa abrangência do transporte aéreo regular no Brasil. Dos 5.563 municípios brasileiros, apenas 140 são atendidos com vôos comerciais regulares. No entanto, 50% das cidades possuem algum tipo de pista de pouso.
Dentro do setor de aviação executiva, o segmento que mais tem crescido é o de helicópteros e, para Abag, é também o que mais tem potencial para crescer. Apenas no estado de São Paulo existe uma frota de mais de 400 helicópteros. A capital paulista tem cerca de 250 helipontos. “A cidade de São Paulo concentra a maior frota do mundo de helicópteros”, disse Aquino. Atrás de São Paulo vêm Tókio e Nova York.
Com o mercado aquecido, a Abag está otimista com a quinta edição da Labace, maior feira de aviação geral da América Latina, que será realizada de 14 a 16 de agosto, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. No ano passado, a Labace alcançou US$ 200 milhões em negócios e a expectativa para este ano é ultrapassar esse valor.
São esperados mais de oito mil visitantes nos três dias de feira, que vai reunir 98 expositores. Entre eles estão as brasileiras Embraer, fabricante de aviões, e Helibrás, de helicópteros; dos Estados Unidos, Boeing, Cirrus, Cessna, Gulfstream; Bombardier, do Canadá; Dassault, da França; e Augusta, fabricante de helicópteros da Itália. Uma das novidades do evento este ano será uma área dedicada aos helicópteros. A Labace vai exibir 40 aeronaves.
Mais infra-estrutura
Em 2014, o Brasil será sede da Copa do Mundo de Futebol e deverá receber cerca de 500 mil turistas estrangeiros. No entanto, a Abag alerta que o país não terá aeroportos com capacidade para atender todas essa demanda. Segundo o vice-presidente da entidade, Adalberto Febeliano, os turistas deverão fazer quatro viagens, no mínimo, de uma sede da Copa para outra dentro do país.
O movimento atual nos aeroportos gira em torno de quatro milhões de embarques por mês. Se forem adicionados os turistas estrangeiros e os brasileiros que vão viajar para assistir aos jogos, o Brasil vai dobrar o número de passageiros no mês da Copa, segundo a Abag. “Vamos ter um colapso”, afirmou Febeliano.
Segundo o presidente da Abag, não há infra-estrutura no país para atender essa demanda. “Estamos super atrasados. Não há nenhuma possibilidade de construir um aeroporto em menos de três anos”, disse. Para conseguir evitar uma crise, Aquino acredita que seria necessário construir mais um aeroporto na cidade de São Paulo, fazer mais uma pista no aeroporto de Viracopos, em Campinas, e fazer ainda adaptações em aeroportos de Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
“Hoje nem dinheiro do governo é preciso para construir um aeroporto. Falta só boa vontade, porque o mundo todo quer investir aqui”, afirmou Aquino.

