Alexandre Rocha
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São Paulo – O mercado de aviação executiva vive um momento de crescimento histórico no mundo e o otimismo contamina quem atua no ramo. Este foi o tom dos comentários feitos por vários profissionais do setor ontem (09) no primeiro dia da 4ª Exposição e Conferência de Aviação Executiva na América Latina (Labace), que ocorre no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. "Não há dúvidas de que a aviação executiva está crescendo mais rápido do que em qualquer outro momento da história", disse à ANBA o diretor-geral do Conselho Internacional da Aviação Executiva (Ibac, na sigla em inglês), Donald Spruston.
Em sua avaliação, isto está ocorrendo por diversos fatores, como a busca das corporações em geral por maior competitividade, incluindo economia de tempo no transporte de seus executivos; a mudança de sedes de companhias para locais mais afastados dos grandes centros, o que também demanda aviões para deslocamento de funcionários; o aumento da oferta de jatos executivos com alcance intercontinental para atender a uma economia globalizada; o lançamento de aeronaves pequenas que possibilitam que empresas de menor porte passem a utilizar este tipo de serviço; e a demanda cada vez maior em países de grande extensão territorial, como Brasil, Argentina, Chile, Canadá, Austrália e México.
"Esta é uma época excitante de crescimento no Brasil, nos Estados Unidos e no mundo, pois o setor é muito importante para as empresas que querem ser competitivas no mundo globalizado, permitindo que elas alcancem mercados e locais não atendidos por linhas aéreas regulares", afirmou o presidente da Associação Nacional de Aviação Executiva dos Estados Unidos (NBAA), Edward Bolen.
Na avaliação de Rui Thomaz de Aquino, presidente da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), que organiza a Labace em parceria com a NBAA, uma das principais forças motrizes da indústria tem sido a busca das companhias em geral pela economia de tempo. O uso de aeronaves executivas evita a necessidade de se chegar com antecedência ao aeroporto, filas no check-in e nas verificações de segurança, atrasos, conexões e, além disso, um jatinho pode pousar em lugares onde aviões comerciais não chegam.
Para dar uma idéia, Aquino disse que dos 5.563 municípios brasileiros, apenas 134 são atendidos por linhas aéreas regulares, sendo que o Brasil tem quase 2,5 mil aeródromos, como se designam todos os locais onde uma aeronave pode pousar, sejam pistas particulares, bases militares, aeroclubes ou aeroportos comerciais.
"Num país de dimensões continentais como o Brasil, onde a rede de estradas ainda é esparsa, a aviação executiva é imprescindível para que as empresas possam buscar novos negócios", disse Aquino, acrescentando que a descentralização econômica do país, com a criação de pólos de produção em diferentes regiões, impulsionou esta demanda.
E demanda e oferta caminham juntas. Segundo Aquino, em 1996 a indústria produziu 1.437 aeronaves executivas de 69 modelos diferentes. Em 2006 o total de unidades chegou a 4.042, de 96 modelos. Além do lançamento de aviões, novas empresas entraram neste setor no período, como a Embraer e a Cirrus, que estão entre os expositores da Labace.
Edward Bolen acrescentou que um avião executivo permite ainda diversos tipos de propriedade, desde o milionário que tem uma aeronave particular, passando pelo condomínio de proprietários, por empresas que usam o aparelho para transporte de executivos e companhias de táxi aéreo.
Oriente Médio
Como o fenômeno é mundial ele está ocorrendo também no Oriente Médio. "No Oriente Médio há uma nova associação, a Associação de Aviação Executiva do Oriente Médio (MEBAA), com sede em Dubai, que representa a indústria na região, e nos informa que o setor está em crescimento", afirmou Donald Spruston.
Segundo ele, a liquidez existente hoje na região é condizente com um desempenho forte da aviação executiva. Spruston acrescentou que eventos voltados para o setor no Oriente Médio têm tido muito sucesso. "Todos os sinais nos dizem que o setor está crescendo na região", declarou.
A Embraer, por exemplo, prevê que o Oriente Médio é uma das regiões do mundo que cada vez terão mais destaque dentro da aviação executiva. A aposta do segmento é de desempenho forte em vários mercados emergentes, incluindo também China, Índia, Rússia e América Latina.
Para Bolen, o mercado norte-americano, o maior do mundo, vai continuar a crescer, mas sua participação no total mundial está diminuindo. "No passado os Estados Unidos já tiveram entre 75% e 80% das aeronaves executivas do mundo, hoje esta participação está entre 50% e 60%", disse ele, que destaca também oportunidades na Europa.
Brasil
No Brasil não é diferente. Segundo José Eduardo Brandão, diretor comercial da Ocean Air Táxi Aéreo, que representa no Brasil marcas como a canadense Bombardier, a suíça Pilatus e a fabricante italiana de helicópteros Agusta Westland, o mercado está aquecido.
De acordo com o executivo, 90% do mercado brasileiro é formado por empresas que utilizam os aviões para transporte de executivos. "É um uso profissional, as companhias usam os aviões executivos como um complemento do transporte aéreo regular. Usam os dois modais", afirmou.
A Labace segue até sábado (11). Este ano ela conta com 70 expositores e 33 aeronaves à mostra. Entre elas estão modelos da Embraer, Dassault, Gulfstream, Cessna, Bombardier, Pilatus, Eurocopter (Helibras), Agusta, Cirrus, Bell Helicopters, entre outros.
Serviço
Labace
Local: hangar da Vasp no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo
Horário: sexta das 12 às 21 horas e sábado das 09 às 18 horas
Ingresso: R$ 80,00

