Da Agência CNI
Florianópolis – Apesar do aumento das exportações em janeiro, pela primeira vez em quase duas décadas a balança comercial de Santa Catarina fechou um mês com saldo negativo. No mês passado, o valor das importações superou em US$ 119,69 milhões o das exportações, segundo informação divulgada hoje (13) pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc). O último déficit registrado pela balança comercial catarinense foi em fevereiro de 1989, quando o saldo ficou negativo em US$ 6,74 milhões.
A estatística catarinense é afetada pela alta das importações (84,51% em relação a janeiro de 2007), estimulada pelo câmbio e também pelos incentivos fiscais oferecidos pelo estado, explica o presidente da Fiesc, Alcantaro Corrêa. "É importante avaliar que boa parte dessas importações não fica no estado, já que muitas empresas aproveitam os incentivos fiscais do governo para trazer pelo estado produtos que serão distribuídos por todo o País", disse.
Contudo, Corrêa lembra que o crescimento das importações brasileiras nos últimos dois anos tem chamado a atenção. Em 2007, o aumento das compras internacionais do Brasil foi de 32,04% sobre o ano anterior. Em janeiro, o crescimento nacional chegou a 45,64% em relação ao mesmo período de 2007.
As vendas externas das empresas catarinenses começaram o ano com forte crescimento. Depois de fecharem o ano passado com aumento de 23,4% em relação a 2006, no primeiro mês deste ano o avanço das exportações foi de 33,12% sobre janeiro de 2007, chegando a US$ 513,25 milhões. O índice ficou acima do crescimento médio dos embarques brasileiros em janeiro, de 20,88%.
As carnes e miudezas de frango continuam sendo o grupo de produtos mais vendido pelas indústrias catarinenses, com US$ 95,7 milhões, e puxaram o aumento sobre o mesmo período de 2007, com avanço de 60,21%. O fumo ficou em segundo lugar na pauta de exportações, com US$ 37,37 milhões e um crescimento de 277,36%.
Depois de um longo período problemático, em função do embargo imposto pela Rússia, os exportadores de carne suína confirmaram em janeiro a recuperação que já demonstravam no final do ano passado. As vendas externas de carnes, carcaças e miudezas de suínos das indústrias catarinenses caíram 38,39% de 2005 para 2006. Em 2007, elas já registraram leve ampliação sobre o ano anterior, de 5,17%. Em janeiro deste ano, o crescimento já passou para 8,58% sobre o mesmo mês de 2007, colocando as carnes suínas novamente como o terceiro item da pauta de exportações catarinense, com US$ 21,64 milhões.
Entre os principais compradores dos produtos catarinenses, os Estados Unidos continuam perdendo espaço, em função da queda de 15,82% nos embarques, mas mesmo assim se mantém na liderança, com US$ 65,94 milhões. A Argentina, com crescimento de 36,42%, foi o segundo maior destino das exportações do Estado, com US$ 45,63 milhões, seguida da Holanda (US$ 30,25 milhões), da Alemanha (US$ 23,37 milhões) e do Reino Unido (US$ 22,67 milhões).
Nas compras internacionais do estado, o avanço no mês de janeiro foi resultado principalmente do crescimento de alguns produtos que não figuravam entre os mais importados no ano passado. Diversos insumos para a indústria se mantêm entre os mais comprados por Santa Catarina de outros países, como catodos de cobre, fios de fibras de poliéster, polímeros e polietilenos. Outros produtos primários tiveram grande crescimento, como o trigo (alta de 584,49%), o milho (mais 579,53%) e chumbo refinado e produtos de chumbo (400,51%).
Destacaram-se também em janeiro as compras de máquinas e equipamentos, como guindastes de pórtico (US$ 21,35 milhões), e produtos industrializados, como equipamentos de refrigeração (US$ 16,42 milhões), aparelhos de ar condicionado (US$ 7,75 milhões), bombas centrífugas (US$ 5,99 milhões) e pórticos móveis de pneus e carros.
A China aumentou suas vendas de US$ 58,56 milhões para US$ 160,52 milhões, respondendo sozinha por 35,17% do crescimento total das importações. Na seqüência ficaram a Argentina (US$ 73,62 milhões), Estados Unidos (US$ 54,42 milhões), Chile (US$ 43,79 milhões) e Alemanha (US$ 34,03 milhões).

