Isaura Daniel
São Paulo – A Caixa Econômica Federal (Caixa), instituição financeira que pertence ao governo brasileiro, vai assinar até o final do ano um acordo para transferir a sua experiência no setor de habitação ao Marrocos. Segundo o gerente nacional de relações internacionais do banco, Luiz Felippe Pinheiro Júnior, o Marrocos pretende aumentar a produção de unidades habitacionais para baixa renda e quer saber como a Caixa opera na área. O banco atua como agente de políticas públicas do governo federal brasileiro e é responsável pela maior parte do financiamento de habitação popular no país.
As conversas com os marroquinos começaram ainda em 2004, quando representantes do banco participaram de uma missão do governo ao país árabe, na qual foram também instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e a Agência Nacional de Águas. Quem negocia o acordo com a Caixa, no Marrocos, são o Ministério da Habitação e Urbanismo e a Caixa de Depósitos e Gestão, banco ligado ao governo do país árabe, que atua nos mesmos moldes que a Caixa. No ano passado, uma delegação do Marrocos também esteve no Brasil para conhecer alguns projetos habitacionais.
De acordo com Pinheiro, na visita os marroquinos acabaram se interessando também por uma metodologia nacional de construção que barateia as casas populares. A tecnologia, do professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Francisco Casanova, consiste no uso da própria argila do solo, e de um menor volume de cimento, na construção das bases das residências. Essa mistura também pode ser utilizada na fabricação dos tilojos. Segundo o gerente, o banco está financiando a construção de 1.300 moradias, em Rondônia, com este sistema. A Caixa será a interlocutora na transferência desta tecnologia ao Marrocos.
A instituição financeira enviou um texto com o teor do projeto aos seus parceiros no país árabe e está aguardando uma posição para então ser definida a formalização da parceria. Ela deve ser assinada por autoridades do Brasil e o Marrocos até o final do ano. De acordo com Pinheiro, após o acordo ser fechado, uma delegação marroquina deve vir ao Brasil para um seminário técnico. Depois, já conhecendo melhor a realidade dos marroquinos e suas necessidades, uma delegação da Caixa deve ir ao país árabe para elaborar um plano de transferência de tecnologia conjunto.
Pinheiro afirma que a cooperação com o Marrocos faz parte da estratégia do governo brasileiro de cooperação técnica com países em desenvolvimento. Além do país árabe, a Caixa também tem acordos com a Namíbia e São Tomé e Príncipe. Uma parceria com a República Dominicana também está sendo elaborada. Os programas de cooperação incluem transferência de experiências com desenvolvimento urbano, operacionalização de programas de transferência de renda, operações de microcrédito e tecnologia bancária.
A última área inclui a criação do correspondente bancário, programa pelo qual a Caixa oferece seus serviços em pontos de varejo e serviços, deixando-os mais perto da população de baixa renda. Na República Dominicana, por exemplo, a Caixa está repassando seu conhecimento em operação de projetos de transferência de renda, como o Bolsa Família, programa pelo qual o governo brasileiro repassa verbas mensais a famílias pobres. A Caixa também tem cooperação com países da Europa, pela qual recebe experiência em gestão de projetos. A Caixa atua com cooperação internacional há cerca de dois anos e criou uma área voltada para isso, dentro do banco, em janeiro deste ano.

