Brasília – O Banco Central (BC) revisou a projeção para o déficit das contas externas do Brasil de US$ 81 bilhões para US$ 65 bilhões este ano. O saldo negativo das compras e vendas de mercadorias e serviços do País com o resto do mundo deve representar 3,71% do Produto Interno Bruto (PIB). A estimativa anterior era de 4,17%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (22) pelo BC.
De janeiro a agosto, o saldo ficou negativo em US$ 46,148 bilhões, contra US$ 65,248 bilhões no mesmo período de 2014. O déficit chegou ao final do ano passado em US$ 103,597 bilhões, o que representou 4,42% do PIB.
Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, a recessão econômica e o dólar alto levaram a esta revisão. “A taxa de câmbio tem impacto imediato pelo fato de influenciar diretamente o custo das transações”, disse Maciel. “A taxa de câmbio é componente essencial das contas externas. Atua no sentido de dar equilíbrio às contas externas. É importante que flutue”, acrescentou.
A balança comercial deve contribuir para a redução do déficit, pois o BC prevê superávit comercial de US$ 12 bilhões. A previsão anterior para o saldo comercial era US$ 3 bilhões. De janeiro a agosto, as exportações superaram as importações em US$ 6,333 bilhões, contra déficit de US$ 889 milhões no mesmo período de 2014.
A conta de serviços (viagens internacionais, transportes, aluguel de equipamentos, seguros, entre outros) deve apresentar déficit de US$ 40,3 bilhões este ano. A previsão anterior era US$ 44,2 bilhões. De janeiro a agosto, o saldo nesse quesito ficou negativo em US$ 26,417 bilhões, contra US$ 30,735 bilhões em igual período do ano passado.
A conta de renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários) deverá ter déficit de US$ 39,7 bilhões, ante estimativa anterior de US$ 41,6 bilhões. Nos oito meses deste ano, o déficit dessa conta ficou em US$ 27,619 bilhões, ante US$ 35,187 bilhões em igual período do ano passado.
A conta de renda secundária (renda gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de serviços ou bens) deve apresentar saldo positivo de US$ 2,9 bilhões, contra a previsão anterior de US$ 1,8 bilhão. De janeiro a agosto, essa conta ficou positiva em US$ 1,555 bilhão, contra US$ 1,562 bilhão em igual período de 2014.
Investimentos diretos
Para os investimentos diretos no País (IDP), ou investimentos estrangeiros diretos (IED), o BC prevê entradas líquidas de US$ 65 bilhões. De janeiro a agosto, entraram pouco mais de US$ 42 bilhões. A projeção anterior para 2015 era de US$ 80 bilhões, mas mesmo com a redução o total previsto será suficiente para financiar o déficit das contas externas, segundo o BC. “As condições para financiamento das transações correntes continuam adequadas”, disse Maciel.
Os investimentos em ações negociadas no Brasil e no exterior devem chegar a US$ 11 bilhões este ano, contra a projeção anterior de US$ 15 bilhões. Nos oito meses do ano, a entrada líquida desses investimentos chegou a US$ 10,127 bilhões.
Na previsão para o investimento em títulos negociados no País, deve haver saldo positivo de US$ 20 bilhões. A projeção anterior era US$ 26,5 bilhões. De janeiro a agosto, o saldo ficou positivo em US$ 18,719 bilhões.


