São Paulo – O Banco Mundial divulgou nesta quarta-feira (18) um relatório, com previsões para o desempenho da economia global em 2012, que mostra um crescimento menor do que aquele previsto em junho de 2011 tanto para países desenvolvidos como para os emergentes. O levantamento “Perspectivas Econômicas Globais” indica que o Produto Interno Bruto (PIB) dos países em desenvolvimento deverá crescer 5,4% em 2012. A previsão anterior apontava para avanço de 6,2%. Já os desenvolvidos deverão crescer 1,4% neste ano, com recessão de 0,3% na Zona do Euro. A previsão anterior indicava alta de 1,8%.
Segundo o Banco Mundial, há sinais de desaquecimento observados na queda dos preços de produtos e serviços básicos e no volume do comércio global. As exportações mundiais de bens e serviços cresceram 6,6% em 2011, queda de 12,4% em relação o aumento de 2010. A previsão é que, neste ano, as exportações cresçam 4,7% em relação a 2011. Também caíram os preços do minério de ferro, energia e produtos agrícolas. O preço dos alimentos caiu 14% em relação ao pico da valorização registrado em fevereiro.
Embora as condições ainda se mostrem favoráveis aos países em desenvolvimento, os economistas do Banco Mundial alertam que há menos instrumentos à disposição das autoridades neste momento do que havia em 2008. “Os países em desenvolvimento precisam avaliar suas vulnerabilidades e se preparar para outros choques enquanto houver tempo”, afirmou o economista-chefe e vice-presidente sênior do departamento de Economias em Desenvolvimento do Banco Mundial, Justin Yifu Lin.
Já o diretor de Perspectivas do Desenvolvimento do Banco Mundial, Hans Timmer, aconselhou os emergentes a pré-financiar os déficits orçamentários, priorizar os gastos em programas de segurança social e submeter os bancos domésticos a testes de resistência. Segundo o banco, o fluxo de capital para os países em desenvolvimento caiu de US$ 309 bilhões em 2010 para US$ 170 bilhões em 2011.
A região da América Latina e Caribe cresceu 4,2% em 2011, deverá registrar 3,6% de aumento do PIB neste ano e 4,3% em 2013. As perspectivas de crescimento para este ano são menores por causa da crise na Zona do Euro, do crescimento menor da China e porque os governos locais reduziram a demanda interna. O crescimento brasileiro deverá ser de 3,4% neste ano, segundo as previsões do Banco Mundial. Além disso, o relatório afirma que os países latinos poderão ser “duramente atingidos” se os preços dos produtos básicos caírem muito em 2012.
Os países do Oriente Médio e do Norte da África tiveram redução da atividade econômica já em 2011 por causa das crises políticas. Além disso, o “ambiente externo em deterioração” afeta setores como o comércio e o turismo. As nações que formam o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês) cresceram 1,7% em 2011, graças aos preços do petróleo. Deverão crescer mais 2,3% neste ano e 3,2% em 2013. O estudo afirma que as economias da Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã são muito vulneráveis aos preços do petróleo.

