Da redação
São Paulo – O segmento de private banking vem crescendo rápido na região do Golfo Arábico, puxado pela demanda de uma classe que lucra com os altos preços do petróleo e busca investimentos mais sofisticados para aplicar seus recursos. “O private banking está sendo levado por um significativo aumento da riqueza no Golfo, aliado a uma maior demanda por serviços financeiros”, afirmou o diretor do HSBC Private Bank para a região, Matthew Welch.
Em entrevista ao jornal Bahrain Tribune, o executivo declarou ainda que “mais e mais bancos estão se interessando pelo Golfo”. “Definitivamente, a indústria como um todo vem crescendo na última década”, acrescentou. O segmento de private banking caracteriza-se por atender apenas clientes de alta renda: no Brasil, por exemplo, o patrimônio desses correntistas costuma girar em torno de R$ 1 milhão.
Apesar de o serviço ser oferecido há décadas no Oriente Médio, a oferta cresceu nos últimos anos, diz o jornal. Apenas em Bahrein, país que é considerado o pólo financeiro do Golfo, 16 bancos inauguraram áreas de private banking desde 1990 e pelo menos um, o Taib Bank, se concentra apenas nesse segmento hoje.
Em 2002, o suíço UBS Bank abriu uma subsidiária, Noriba Bank, em Bahrein para oferecer private banking e serviços de financeiros islâmicos, que funcionam de acordo com a Sharia. “Estamos indo muito bem. Acho que abrimos no momento certo”, disse o presidente do Noriba, Mohamad Toufic Kanafani.
De acordo com o jornal, não existem números precisos sobre o total de recursos administrados pelos private banks no Golfo, mas especialistas estimam um volume total entre US$ 800 e 900 bilhões para o total de riquezas na região.
Agora, os banqueiros estão de olho na expansão provocada pela alta dos preços do petróleo. As cotações internacionais da commodity atingiram níveis recordes no ano passado: em 2003, o preço médio estabelecido pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) fechou em US$ 28,5, o maior das duas últimas décadas.
A receita extra garantiu taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acima da esperadas para os países da região, que detêm dois terços das reservas de petróleo do mundo. Na Arábia Saudita, por exemplo, a expansão foi de 6%; nos Emirados Árabes Unidos, de 8%; no Kuwait, ficou em 4%; e no Catar, chegou a 12%, no ano passado.
Bolsas de valores
Os resultados da economia foram sentidos – e precificados – pelo mercado financeiro: as bolsas de valores locais tiveram desempenhos estelares em 2003. Os mercados do Kuwait e da Arábia Saudita tiveram valorizações de 101% e 76%, respectivamente. O índice da bolsa do Catar subiu 70%, de Omã, 42%, e os de Bahrein e dos Emirados, cerca de 29%.
“Os investidores estão preferindo deixar seus recursos na região, mais do que buscar investimentos offshore. É por isso que há mais potencial para os private banks”, avalia Welch, do HSBC.
Uma das razões dessa mudança de perfil dos investidores, segundo analistas, foram os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. “Houve repatriação de recursos desde os ataques, já que muitas contas correntes de árabes foram congeladas injustamente, principalmente em razão de erros em identidades”, explica o diretor da Agência Monetária de Bahrein, Abdulrahman Mohammad Al Baker.
Segundo o Bank of International Settlements (BIS), em 2002, os países-membro da Opep repatriaram cerca de US$ 8,8 bilhões. No ano anterior, depósitos de quase US$ 3 bilhões foram transferidos para o Oriente Médio. E, no início de 2003, apenas a Arábia Saudita recebeu US$ 12 bilhões que estavam aplicados fora do país.
Para outros especialistas, a comodidade de poder investir em seus próprios países, com gerentes que falam árabe, também vem influindo na decisão dos clientes. “Muitas pessoas ricas daqui não falam inglês. Elas gostam de estar próximas de seus recursos, lidando com um banco da sua região”, acredita Khalil Sharif, presidente do SG Asset Management (Bahrain), o braço de administração de fundos do banco francês Societe Generale.

