Amã – Os bancos jordanianos suportaram bem a crise financeira internacional, segundo disse nesta segunda-feira (09) o presidente da Associação dos Bancos da Jordânia (ABJ), Marwan Awad, durante reunião com o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Taufic Schahin, em Amã.
“Não tivemos e não prevemos problemas com a crise”, afirmou Awad, que é também CEO do Jordan Ahli Bank, o terceiro maior do país. Segundo ele, as perdas das instituições bancárias da Jordânia não passaram de 40 milhões de dinares jordanianos (US$ 56,5 milhões), sendo que os ativos totais dos bancos locais somam 30 bilhões de dinares (US$ 42,3 bilhões).
O executivo declarou que o banco central do país tem uma política conservadora e uma forma correta de agir, sem, no entanto, deixar de manter a “mente aberta” para os problemas do mercado. Isso, em sua avaliação, foi importante para manter a estabilidade do sistema local.
De acordo com ele, os bancos da Jordânia concentram depósitos que somam 20 bilhões de dinares (US$ 28,2 bilhões) e empréstimos de 13 bilhões (US$ 18,3 bilhões) no total, o que confere grande liquidez ao sistema. “É um sistema muito líquido, podemos aumentar [o volume de financiamentos]”, destacou.
Ele afirmou, porém, que não há muito mais demanda por empréstimos no país e as instituições locais têm disposição para financiar transações internacionais, inclusive com o Brasil.
Segundo Awad, o comércio exterior é o setor que mais concentra financiamentos de bancos jordanianos, seguido dos serviços e da indústria. “Não importa se [o cliente] quer exportar ou importar do Brasil, nós podemos fazer”, ressaltou. “Estamos prontos para financiar o comércio e serviços e temos infraestrutura para isso”, garantiu.
Schahin destacou que o sistema bancário brasileiro goza também de boa saúde e recomendou maior contato entre as instituições dos dois países, iniciativa que pode ser auxiliada pela Câmara Árabe. Ele ressaltou que o volume de crédito no Brasil gira em torno de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) e que há demanda para mais.
“Precisamos expor mais nossos empresários, esse é o objetivo da nossa missão”, afirmou Schahin, que lidera uma delegação empresarial brasileira em visita à Jordânia. Participaram também da reunião o diretor da Câmara Árabe, Mustapha Abdouni, o embaixador jordaniano no Brasil, Ramez Goussous, além de Nour Al Hmoud, da Jordan Investment Board (JIB).
Awad destacou ainda que o sistema bancário de seu país é bastante aberto, com participação de 60% de capital estrangeiro, e considerado seguro. “Não temos problemas há 15 anos, então a confiança é grande”, concluiu.

