São Paulo – O banqueiro Adnan Kassar, presidente da União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos Países Árabes, fez uma apresentação positiva sobre a economia e o sistema bancário do Líbano, em discurso durante jantar em comemoração aos 50 anos da Câmara de Comércio Brasil Líbano, ocorrido na quinta-feira (16) em São Paulo. Kassar, que foi um dos homenageados da noite, é presidente do Fransabank, um dos maiores do país árabe.
Depois de um período conturbado, Kassar disse que o país passa por um processo de estabilização, após a posse este ano do novo presidente, Michel Sleiman. “A economia deverá crescer 5% este ano e tivemos um verão excelente, com mais de um milhão de turistas que gastaram seu dinheiro no país”, afirmou.
Segundo ele, o setor bancário cresceu 14% desde o começo do ano e os depósitos nos bancos somam US$ 72 bilhões. De acordo com reportagem publicada recentemente pelo jornal libanês The Daily Star, Beirute tem sido considerada um local seguro para aplicação de dinheiro por libaneses expatriados e árabes de outros países, receosos dos efeitos da crise financeira internacional. O jornal acrescenta que o total de depósitos deverá chegar a US$ 80 bilhões até o final do ano.
“O sistema bancário do Líbano não foi afetado pela crise, muito em função da política adotada pelo banco central”, afirmou Kassar. Ele acrescentou que recentemente o Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou a solidez dos bancos libaneses. Segundo o FMI, o Banque du Liban, como é chamado o BC local, adotou medidas rigorosas para proteger o sistema da crise global. O volume de reservas internacionais está em US$ 18 bilhões.
De acordo com o Daily Star, a relação entre empréstimos e depósitos no Líbano é a menor da região e o BC proíbe os bancos de realizarem investimentos diretos em imóveis, embora possam financiar em parte investidores interessados em desenvolver empreendimentos imobiliários. Segundo a Associação dos Bancos no Líbano (ABL), citada pelo jornal, mais de 45% dos ativos das instituições são líquidos e a maior parte dessa liquidez é em moeda estrangeira.
Kassar acrescentou que as taxas de juros estão estáveis no país e que o FMI considerou o sistema libanês o segundo mais desenvolvido entre os países emergentes e o líder entre as nações do Oriente Médio e Norte da África. “É lucrativo e sua capitalização aumenta”, afirmou. Segundo ele, os bancos libaneses deverão ampliar sua presença no exterior, em países que têm interesse em usar sua expertise.
“O Líbano pode se tornar novamente a Suíça do Oriente Médio”, disse Kassar, referindo-se ao apelido dado ao país antes da guerra civil de 1975 a 1990. “O Líbano e sua economia sobreviveram em momentos difíceis. Os libaneses sabem como encarar desafios e criar oportunidades”, ressaltou.
A Câmara Brasil-Líbano, presidida por Alfredo Cotait Neto, secretário municipal de Relações Internacionais de São Paulo, homenageou também o empresário Ernesto Zarzur, da construtora Eztec. O prefeito Gilberto Kassab esteve no jantar, assim como o deputado federal Michel Temer (SP), presidente nacional do PMDB.
A diretoria da Câmara de Comércio Árabe Brasileira também compareceu. Estiveram no evento o presidente da entidade, Antonio Sarkis Jr., o presidente do Conselho de Administração, Willian Adib Dib, os vice-presidentes Salim Schahin (Comércio Exterior) e Rubens Hannun (Marketing), o secretário-geral, Michel Alaby, e os diretores Bechara Ibrahim, Mário Rizkallah, Wladimir Freua e Mustapha Abdouni.

