São Paulo – Quando a música começa, logo é possível perceber a toada árabe ao fundo. Mas está bem longe de ser apenas isso. O som chega de instrumentos orientais misturados aos ocidentais, o que resulta em um embalo leve, que tem algo de folclórico, mas também de moderno. A banda Mutrib toca o som do Egito, Palestina, Grécia, Turquia, Macedônia, Romênia, Bulgária, Albânia, Israel e outros, uma junção do Mediterrâneo Oriental e Balcãs.
“A região dos Balcãs tem muita influência da música do Oriente”, afirma Gabriel Levy, integrante e um dos fundadores do Mutrib. Ele lembra fatos históricos que deixaram essa interferência na região, como o domínio do Império Otomano. “É música europeia”, diz, agregando, porém, que se trata de uma Europa sob essa influência. “Nós fazemos um passeio pelo Mediterrâneo Oriental e Balcãs, Egito, Líbano, Israel, Grécia”, afirma.
O nome Mutrib se refere ao coro dos sufis, seguidores da corrente mística do Islã. A palavra denomina o local na igreja onde fica o coral e também o que emana desse encontro de músicos. Os temas tocados são tradicionais, mas eles não são apenas uma reprodução de músicas consagradas, têm muito do toque particular do grupo e de improviso. “A música oriental usa muito a improvisação”, afirma Levy. A cultura cigana, que transita por todos os países das regiões citadas, também está presente no trabalho do Mutrib, segundo o músico.
Levy toca acordeão no Mutrib. Além deste, o grupo também utiliza nos shows instrumentos de sopro orientais e ocidentais, de percussão, e a tuba. Esse último foi adotado em substituição ao baixo. Os integrantes do grupo são, além de Levy, Roberto Angerosa, Valéria Zeidan, Eder “O” Rocha, Mario Aphonso III ou Ma3, e Tristão. Todos fazem parte também de outros grupos artísticos, entre eles de música árabe, e estão entre os maiores instrumentistas de São Paulo.
O Mutrib tem um CD lançado, o Primeiras Viagens, de 2013. O grupo começou a se desenhar depois que Levy fez uma apresentação com Sami Bordokan, artista consagrado em música árabe no Brasil. O clarinetista norte-americano Stewart Mennin, pesquisador musical, estava na plateia e propôs ao acordeonista a ideia de formar um grupo. Eles foram reunindo mais nomes e há cerca de dez anos estava formada a banda. “A ideia era praticar um som fora da caixinha para o público brasileiro”, afirma Levy. Mennin não se apresenta mais com o grupo.
Mas os propósitos do Mutrib não se resumem a fazer música. Admiradores do intelectual palestino Edward Said, que afirma que o Ocidente tem muitos estereótipos sobre o Oriente, a banda também pretende mostrar outras faces do Oriente ao Brasil e tornar a cultura da região mais “amiga” dos brasileiros. “Quando você não conhece nada é como se não existisse, você não se preocupa em cuidar”, afirma o músico.
O Mutrib faz muitas apresentações voltadas para as comunidades com origens nos países dos quais eles tocam músicas, mas também realiza shows para o público em geral. “Normalmente é para comunidades ou para um público antenado, que gosta de ouvir coisas diferentes”. A próxima apresentação da banda é neste domingo, dia 7 de agosto, no Sesc de Sorocaba, interior paulista, e a seguinte na capital paulista, no dia 12 de agosto, no Espaço Jazz nos Fundos, na Vila Madalena, também na cidade de São Paulo. Veja vídeo do grupo abaixo.
Serviço:
Show Mutrib – 7 de agosto
Domingo, 17 horas
Sesc Sorocaba
Rua Barão de Piratininga, 555 – Jardim Faculdade – Sorocaba – SP
Gratuito
Mais informações: http://www.sescsp.org.br/programacao/100529_MUTRIB
Show Mutrib – 12 de agosto
Sexta-feira, 21h30
Espaço Jazz nos Fundos
Rua Cardeal Arcoverde, 742 – Vila Madalena – São Paulo – SP
Preço: R$ 25
Mais informações: http://jazznosfundos.net/
Email: contato@jazznosfundos.net
Telefone: +55 (11) 3088 0645


