São Paulo – Em reunião com a diretoria da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, o presidente da Síria, Bashar Al-Assad, falou nesta quinta-feira (01) sobre oportunidades de investimentos em seu país e propôs a realização de uma missão de representantes do governo e empresários sírios ao Brasil.
"Vou tratar desse assunto diretamente na minha volta", afirmou Bashar. Segundo ele, os governos têm feito sua parte para fortalecer as relações bilaterais, mas na seara econômica o caminho deve ser indicado pela iniciativa privada. "Daí a importância de se encontrar com empresários, para que eles nos indiquem esse caminho, e por isso eu quis ter esse encontro com os senhores antes de retornar", acrescentou.
O presidente da Câmara Árabe, Salim Taufic Schahin, destacou que grandes empresas brasileiras estão atuando no mundo árabe "e têm muito interesse em explorar outros países do Oriente Médio". Ele ressaltou que esteve na Síria três vezes nos últimos três anos e pôde ver pessoalmente o potencial econômico do país. (Veja abaixo vídeo sobre o encontro)
O secretário-geral da entidade, Michel Alaby, acrescentou que esteve recentemente em Damasco com seis empresários da indústria de equipamentos médicos e hospitalares e eles ficaram "muito impressionados" com o crescimento sírio. "Com a continuação da abertura econômica, com certeza teremos empresas interessadas em investir na Síria", afirmou.
Bashar citou, por exemplo, projetos de infraestrutura planejados em conjunto com outros países da região, como Líbano, Iraque e Jordânia, na área de infraestrutura. Ele lembrou de grandes empreendimentos nos setores de petróleo e gás, transporte ferroviário e rodoviário, irrigação, geração e transmissão de energia elétrica.
E acrescentou que, embora esses países sejam pequenos, projetos desenvolvidos conjuntamente têm potencial para atingir um grande mercado, ligando, por exemplo, as regiões produtoras de petróleo do Iraque ao Mar Mediterrâneo. "O sistema elétrico, por exemplo, não é suficiente para atender ao crescimento populacional e econômico [dos países da região]", afirmou.
Regulação
A Síria vem desenvolvendo na última década um processo de abertura econômica, passando de um sistema altamente estatizado para outro onde há mais participação privada. Nesse sentido, o país tem necessidade de atração de investimentos estrangeiros e promove mudanças legais para facilitar os negócios.
O presidente insistiu que os empresários devem ajudar a apontar os obstáculos. "Temos obstáculos, mas através de vocês podemos identificá-los. Se soubermos onde atacar vamos economizar tempo. Isso prova que esse processo é dinâmico", afirmou.
Nesse sentido, Schahin destacou a criação do Conselho Empresarial Brasil-Síria, presidido por ele do lado brasileiro e pelo empresário Tarif Akhras pelo lado sírio. "Com a criação do conselho nós devemos entabular negociações para vencer os obstáculos que atrapalham um pouco o desenvolvimento", declarou.
Ele citou algumas medidas que interessam aos empresários, como a adoção de leis que dêem segurança ao investidor estrangeiro e a assinatura de tratados que evitem a dupla cobrança de impostos.
Bashar afirmou que a Síria promove neste momento uma reforma da legislação sobre o setor elétrico para melhorar o ambiente para os investidores. O vice-presidente da Câmara Árabe, Wladimir Freua, ressaltou que a experiência brasileira de regulação do segmento, que hoje tem forte presença privada, pode ajudar.
Schahin acrescentou que outra experiência que pode ser analisada é a das agências reguladoras criadas no Brasil, que fazem o meio de campo entre o poder público e a iniciativa privada em áreas como energia, petróleo, telefonia e transportes.
Turismo
O presidente sírio deu ênfase também ao turismo que, segundo ele, é estratégico para a Síria e considerado "o nosso próximo petróleo". Ele destacou que, apesar dos conflitos no Oriente Médio, o setor cresceu muito nos últimos anos. Bashar sugeriu a organização de um encontro de empresas do ramo dos dois países com o objetivo de incentivar o turismo bilateral.
Presidente do Comitê de Turismo da Câmara Árabe, o diretor Adel Auada disse que o interesse dos brasileiros em viajar ao mundo árabe tem aumentado e defendeu maior contato com gente do setor na Síria para promover o destino no Brasil.

