São Paulo – O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta quinta-feira (01), em Brasília, comunicado informando que o biodiesel precisa de mais incentivos governamentais e sua cadeia produtiva deve promover a inserção social. O estudo “Biodiesel no Brasil: desafios das políticas públicas para a dinamização da produção”, afirma que o setor precisa reduzir sua dependência da soja, oleaginosa que atualmente é a principal matéria-prima na produção do combustível.
Rio Grande do Sul, São Paulo, Goiás e Mato Grosso concentraram 82,5% da produção de biodiesel entre 2008 e 2011. Desses quatro estados, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso respondem por 53% da produção de soja. Entre 2008 e 2011, o Rio Grande do Sul foi o maior produtor de biodiesel do país: 2,03 bilhões de litros. Foi seguido por Mato Grosso (1,5 bilhão de litros), Goiás (1,3 bilhão de litros) e São Paulo, que produziu 975 milhões de litros.
A soja responde por 80% do volume de biodiesel produzido no País. “Essa oleaginosa tem alta homogeneidade e disponibilidade, fatores de grande relevância, mas tem baixa produtividade de óleo (apenas 19% da massa total), além de não favorecer a distribuição regional e de apresentar baixa inserção social, pois proporciona poucas ocupações adicionais com o biodiesel”, afirma o documento.
Segundo o estudo outras oleaginosas podem ser utilizadas para a produção do combustível. É o caso do girassol, canola, pinhão manso, mamona e crambe. Estes, contudo, ainda dependem de pesquisas para ter sua viabilidade comprovada. O levantamento aponta que o principal “concorrente” da soja como matéria-prima para o biodiesel é o óleo de dendê. Essa matriz pode reduzir a dependência da soja e gerar empregos. No entanto, pode ser uma alternativa à soja apenas no médio prazo.
No documento, o Ipea recorda que a adição de 5% de biodiesel ao diesel comum estava prevista para ser obrigatória em 2013. No entanto, foi antecipada para 2010. Com isso, aumentou-se a pressão para elevar a mistura de biodiesel para 7%, 10% até chegar a 20% nos próximos anos.
Segundo o estudo, a antecipação da mistura de 2013 para 2010 “acelerou a reivindicação do aumento [ainda maior] da mistura, principalmente como forma de reduzir a capacidade ociosa das indústrias produtoras”. Ainda de acordo com o levantamento, os fabricantes têm capacidade de oferecer 50% mais biodiesel do que o que é fornecido atualmente.
O levantamento afirma que é preciso aumentar a mistura de biodiesel ao diesel comum porque assim atende-se uma demanda da sociedade, na utilização de combustíveis menos poluentes, e porque gera inserção social. Isso, contudo, só deveria ser feito, quando pesquisas sobre outras matérias-primas estivessem em estágio mais avançado e quando oleaginosas provenientes do Norte e do Nordeste pudessem ser utilizadas em maior escala. Essas são as regiões, segundo o documento, que podem ser mais beneficiadas pela inserção social que a produção de biodiesel pode trazer.

