Geovana Pagel
São Paulo – Os fruticultores do Brasil e do mundo ganham mais um reforço para combater uma das piores pragas que atingem as lavouras: a mosca-das-frutas, que tem o nome científico de Ceratitis Capitata. No próximo mês de junho será inaugurada oficialmente a Biofábrica Moscamed Brasil, em Juazeiro, na Bahia.
A biofábrica, cuja meta é produzir 200 milhões de machos estéreis por semana, já nasce com perspectivas de ser uma exportadora. De acordo com o engenheiro agrônomo Antonio Nascimento, consultor técnico científico da Moscamed Brasil, a Espanha e África do Sul são mercados potenciais para futuras exportações dos controladores naturais de pragas.
O pesquisador conta que foram cerca de dez anos de pesquisa, envolvendo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), universidades e institutos de pesquisa para chegar à biofábrica. "Este é verdadeiramente um trabalho de equipe interdisciplinar e interinstitucional", afirma. A tecnologia de geração do inseto estéril da mosca-das-frutas já é utilizada em outros países, mas no Brasil, terceiro maior produtor mundial de frutas, a biofábrica baiana é a primeria.
Segundo ele, a técnica do inseto estéril reduzirá o uso de agrotóxicos na fruticultura brasileira e representa impacto positivo para o meio ambiente. "Por outro lado, essa tecnologia contribuirá para a produção de frutas mais saudáveis, além de aumentar a competitividade brasileira no mercado externo de frutas in natura, mercado cada dia mais exigente do ponto de vista da segurança alimentar", ressalta Nascimento.
Na prática, explica o pesquisador, a técnica de esterilização dos machos da mosca-das-frutas funciona por meio da exposição à radiação gama. O inseto fica estéril, mas não perde sua capacidade biológica. Os machos estéreis liberados nos pomares vão cruzar com as fêmeas silvestres da natureza. Essas fêmeas produzirão ovos infertéis, resultando na redução progressiva da população da praga no campo. "Cada fêmea só aceita uma cópula em toda a sua vida. Esse detalhe biológico torna a técnica segura e muito eficiente", garante.
Inicialmente os estados brasileiros que irão utilizar a técnica do inseto estéril são Bahia, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. A médio e longo prazos, outros estados da federação serão beneficiados com a tecnologia. "Precisamos estar atentos para utilizar essa tecnologia de forma eficiente. Para tanto, uma boa base de dados das condições de campo em cada região do país é fundamental para o sucesso dessa técnica", alerta o pesquisador.
O potencial para exportação existe. Em alguns países, observa o pesquisar, a tecnologia do inseto estéril é usada tanto para o combate da mosca-das-frutas, quanto para o controle de outras pragas, como a traça-da-maçã, mosca-de-bicheira, que ataca bovinos, e mosca tsé-tsé, mais conhecida como mosca do sono.
A médio prazo, o projeto prevê a produção de parasitóides para o controle biológico da mosca-das-frutas e de outras espécies de pragas. Nessa primeira etapa, as culturas de manga, uva e mamão serão as mais beneficiadas, mas o projeto, enfatiza Antonio Nascimento, beneficiará a fruticultura como um todo, já que a tecnologia utiliza o conceito de área ampla ao invés de ficar restrita apenas a determinada propriedade ou fazenda.
O empreendimento conta também com o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), do Ministério da Ciência e Tecnologia, através da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Integração Nacional e do Governo do Estado da Bahia.
Biofábrica Moscamed
www.moscamed.org.br

