São Paulo – Com exceção do petróleo, o Banco Mundial revisou para baixo suas projeções para os preços médios das commodities em 2015, de acordo com o levantamento Perspectivas dos Mercados de Commodities, divulgado nesta quarta-feira (22). No caso do petróleo, a previsão de US$ 53 por barril feita em abril foi ampliada para US$ 57, em função de uma escalada de 17% nas cotações internacionais do produto ao longo do segundo trimestre.
Os outros itens do grupo “energia”, porém, tiveram redução de preço de abril a junho: -13% no caso do gás natural e -4% no que diz respeito ao carvão. Com isso, os valores médios do segmento, incluindo o petróleo, deverão ficar este ano 39% abaixo do registrado em 2014, segundo o Banco Mundial.
“A demanda por petróleo bruto foi maior do que a esperada no segundo trimestre. Apesar do aumento marginal na projeção de preço para 2015, estoques em alta e o aumento da produção em [países] membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) indicam que as cotações vão permanecer em baixa no médio prazo”, disse o principal autor da pesquisa, John Baffes, economista sênior do Banco Mundial, de acordo com comunicado da instituição.
O banco lembra da possibilidade de relaxamento das restrições às exportações de petróleo do Irã, em face do acordo nuclear assinado pelo país persa com os Estados Unidos e outras potências. Em tese, isso pode ampliar a quantidade do produto no mercado e pressionar os preços para baixo.
Outros fatores que também podem contribuir para a baixa são um aumento maior do que o previsto da produção em nações que não integram a Opep e a continuidade do crescimento da extração entre os membros da organização.
Por outro lado, os preços podem ser pressionados para cima caso empresas petrolíferas decidam suspender atividades com altos custos de operação. O banco informa, por exemplo, que nos Estados Unidos o número de plataformas operacionais caiu 60% desde novembro passado. Com as cotações em baixa, pode não ser rentável manter funcionando instalações muito caras.
A instituição cita também “tensões geopolíticas” como fator que pode influenciar um eventual aumento de preços. Vale lembrar importantes países produtores de petróleo, como Iraque e Líbia, são palcos de conflitos.
Na seara das commodities metálicas, o banco relata que as cotações caíram de maneira marginal no segundo semestre. Destaque para o minério de ferro, que custa hoje dois terços do que custava em 2011.
Nesse sentido, o relatório estima que os preços dos metais deverão ficar em média 16% menores em 2015 do que em 2014. Em abril, a previsão era de uma redução de 12%.
A principal queda, de 43%, deverá ser observada justamente no minério de ferro, impulsionada por novas operações de mineração de baixo custo, especialmente na Austrália. A notícia é negativa para o Brasil, pois o País é um dos maiores produtores e exportadores mundiais do produto.
De acordo com o banco, o mercado de metais passa por um momento de suspensão de operações custosas e de baixo investimento.
Agricultura
Na área agrícola, o banco aponta redução de 2,6% nos preços de abril a junho, principalmente entre os grãos e óleos comestíveis. A instituição avalia que os valores médios este ano deverão permanecer 11% abaixo do patamar de 2014. A projeção de abril era de um recuo de 9%. É esperada ainda uma queda de 5% nos preços dos fertilizantes.
O Brasil é também um dos maiores produtores e exportadores de commodities agropecuárias do mundo, portanto preços em baixa são má notícia para os produtores locais e para a balança comercial. Fertilizantes mais baratos, porém, podem contribuir para a redução de custos, uma vez que a maior parte do que o País consome é importada.


