São Paulo – As bolsas de valores de São Paulo (Bovespa), Egito, Istambul (Turquia), Johanesburgo (África do Sul) e a norte-americana Nasdaq assinaram na segunda-feira (18) um compromisso de promoção de investimentos sustentáveis, durante o terceiro Diálogo Global de Bolsas de Valores Sustentáveis, realizado paralelamente à Rio+20, na capital fluminense.
Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (19) pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), autora da iniciativa junto com outras três agências da ONU, as bolsas se comprometem "voluntariamente, por meio do diálogo com investidores, empresas e reguladores, a promover o investimento sustentável de longo prazo e a maior divulgação de informações ambientais, sociais, de governança e desempenho corporativo entre as companhias listadas".
Para a diretora de Sustentabilidade da BM&FBovespa, holding controladora da bolsa brasileira, Sônia Savaretto, investimento sustentável é aquele que leva em conta não apenas as questões financeiras. "A tomada de decisão considera também as variáveis sociais e ambientais", declarou ela, que participou do evento. "É olhar o investimento de forma mais completa", acrescentou.
As cinco signatárias, de acordo com a Unctad, reúnem mais de 4,6 mil empresas listadas. O compromisso integra a Iniciativa de Bolsas de Valores Sustentáveis (SSE, na sigla em inglês) e, segundo Savaretto, a BM&FBovespa promove os princípios da ONU sobre o tema há pelo menos três anos.
Entre as ações desenvolvidas pela bolsa paulista nesta seara estão o programa "Em boa companhia", que tem por objetivo inserir a prática dos investimentos sustentáveis nas empresas, e inclui debates presenciais, um site e um guia sobre o assunto; a atuação junto às companhias para mostrar "o quanto os investidores têm priorizado esta agenda"; um trabalho junto às associações do mercado de capitais para promoção do tema; além do oferecimento de serviços da própria bolsa, como os índices de sustentabilidade, que reúnem ações de empresas que adotam práticas consideradas sustentáveis.
De acordo com a executiva, o trabalho vai além da adoção de práticas de "ecoeficiência" pelas empresas, como redução do consumo de energia e reciclagem de materiais. Ele consiste em colocar o conceito de sustentabilidade no centro dos negócios, como, por exemplo, no caso de um banco, passar a ter critérios sociais para a concessão de financiamentos. "É fundamental o trabalho com o público interno [da companhia], com os funcionários, de conscientização", destacou.
Para Savaretto, a principal função do compromisso assinado no Rio é dar visibilidade ao tema e convencer outras bolsas pelo mundo a adotar práticas como estas. Integram a SSE também a Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (IF-PNUMA), os Princípios das Nações Unidas para o Investimento Responsável (PRI) e o Pacto Global das Nações Unidas (UNGC).
Na Rio+20, há uma discussão sobre a inclusão no documento final de uma cláusula sobre relatórios de sustentabilidade corporativa, segundo a Unctad. Este ano, a Bovespa fez pela primeira vez uma consulta sobre o tema às suas listadas. O levantamento mostrou que 21,43% das empresas divulgam relatórios do gênero, 23,88% não divulgam, mas explicaram a razão, e 54,69% não responderam.
Savaretto acredita que em dois anos não haverá companhia aberta que não publique relatórios de sustentabilidade, pois passará a ficar cada vez mais clara a diferença entre quem se preocupa com o tema e quem não dá satisfação. "Hoje é importante explicar [o conceito], é uma agenda nova, mas que tem poder para exercer uma pressão positiva", ressaltou. "O objetivo é a busca por transparência", acrescentou.

