São Paulo – A Copercampos já pensava na possibilidade da fabricação de fertilizante organomineral há cerca de dez anos. Mas foi a crise dos fertilizantes que deflagrou a sua corrida pela produção do novo adubo. “Com a crise dos fertilizantes, o fosfato subindo muito de preço, fomos buscar uma alternativa, uma fonte de fosfato mais barata para os agricultores”, diz o diretor técnico de Insumos da Copercampos, Laerte Izaias Thibes Júnior.
A cooperativa, que tem mais de mil associados, formou uma parceira com o Instituto de Fosfato Biológico (IFB), e foi extrair fosfato da rocha por via biológica. Desde aí, o processo até chegar ao fertilizante não é tão complicado: a rocha fosfática é misturada ao material orgânico – esterco de suínos ou aves – e depois o produto é decomposto, com ajuda de fungos e bactérias. Essa mistura é unida a nitrogênio e potássio, em um equipamento especial para isso, e resulta no BioCoper.
Thibes defende seu peixe. Segundo ele, o fertilizante é 10% a 15% mais barato que o tradicional e a planta consegue uma absorção maior do fósforo. "Com o fertilizante tradicional, a planta absorve 20% a 30% do fósforo, o resto fica no solo. Com o nosso, a planta absorve de 60% a 70% do fósforo", diz. Há ainda, segundo ele, o fato de que o adubo, quando usado por vários anos numa mesma lavoura, recupera o fósforo que o fertilizante mineral deixou na terra. Isso é feito pelos fungos e bactérias usadas na compostagem.
A fábrica de fertilizante da Copercampos começou a funcionar em novembro. Thibes acredita que a procura do BioCoper vai ocorrer em função de ele ser um produto diferenciado, além do preço mais baixo do que o fertilizante mineral. A fórmula usada até agora na fábrica é de fertilizante para plantações de feijão, soja e para hortifruticultura. Mas o adubo também será adequado mais adiante, segundo Thibes, para culturas como milho e trigo. O diretor técnico afirma que a cooperativa vai ajudar a levar a idéia para outras regiões do país.
Quem deve receber a colaboração da Copercampos, por exemplo, é a Coonagro. Daniel Dias, diretor-executivo da Coonagro, afirma que o projeto está em estudo na cooperativa. São avaliadas as possibilidades de produzir 100 mil toneladas, 500 mil toneladas ou um milhão de toneladas por ano. As cooperativas que formam a Coonagro produzem, atualmente, 600 mil toneladas de cama de frango, que será aproveitada na fabricação do adubo. Os estudos do projeto devem estar concluídos até o final do primeiro trimestre de 2010.

