Alexandre Rocha
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São Paulo – A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) espera um aumento da presença de investidores do Oriente Médio no mercado de capitais brasileiro após o início de ações institucionais do setor na região, como o seminário que vai ocorrer na semana que vem em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, organizado pela iniciativa BEST (Brazil: Excellence in Securities Transactions). Hoje a participação da região representa apenas 1% do total de investimentos estrangeiros na Bovespa.
De acordo com a diretora-adjunta de projetos e relações internacionais da Bovespa, Cristiana Pereira, desde que um evento semelhante foi organizado pela primeira vez na Ásia, no final de 2005, a presença de investidores asiáticos no mercado de ações passou de 1,5% do total de investimentos estrangeiros para quase 4%. “Imaginamos que deverá ocorrer algo assim com o Oriente Médio, que comece a ocorrer um volume maior de investimentos. Mas não dá para dizer quanto”, afirmou ela em entrevista à ANBA.
O BEST é um programa conjunto da Bovespa, da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) e Associação Nacional de Bancos de Investimentos (Anbid), com o apoio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Banco Central e Secretaria do Tesouro Nacional. Ele tem como objetivo promover o mercado de capitais do Brasil no exterior.
Desde o início do projeto são realizados todos os anos encontros em importantes centros financeiros dos Estados Unidos, Europa e Ásia. Agora, o Oriente Médio foi incluído na agenda. “Realizamos os roadshows em praças onde percebemos que a demanda cresceu, e no Oriente Médio ela tem crescido”, disse Cristiana.
Dubai foi escolhido, segundo ela, porque o emirado tem se tornado cada vez mais um centro financeiro importante. No passado, de acordo com a executiva, muitos recursos oriundos da região eram geridos por instituições européias, então, para captá-los, era preciso ir à Europa. “Hoje a tomada de decisão está ficando no Oriente Médio mesmo e Dubai tem crescido não só como centro financeiro, mas também de decisões”, declarou.
Além de mostrar o funcionamento do mercado brasileiro e as oportunidades existentes, os seminários têm como objetivo conhecer os desejos dos investidores, suas críticas e sugestões. Segundo Cristiana, cerca de 30 pessoas já confirmaram presença no workshop em Dubai, mas ela espera que o número chegue a 50 até a data do evento. O foco principal são os investidores institucionais, como fundos soberanos, gestores privados de ativos, bancos e corretoras de valores.
De acordo com a experiência obtida na Ásia, ela acredita que a tomada de decisão sobre novos investimentos deverá demorar um pouco. Para que haja um aumento significativo do interesse, em sua avaliação, é preciso um trabalho mais longo, incluindo novas visitas.
Cristiana diz, no entanto, que o potencial existente já pode ser observado. Em primeiro lugar, ela informa que o número de contas abertas por investidores do Oriente Médio na CVM tem aumentado, principalmente nos últimos dois anos. Além disso, outras instituições do mercado brasileiro têm feito promoção na região e inclusive levado representantes de fundos para conhecer a Bovespa.
Ela disse ainda que as instituições financeiras do Oriente Médio estão cada vez mais estruturadas e a valorização do petróleo levou a um aumento expressivo da liquidez na região, ampliando a disponibilidade de recursos para aplicações no mercado de capitais. É preciso cada vez mais ligar os pontos, ou seja, apresentar as oportunidades para quem quer investir.
E o aumento do interesse é recíproco. Além da iniciativa BEST, outras instituições brasileiras têm ampliado suas ações no Oriente Médio. O Banco do Brasil, por exemplo, está inaugurando um escritório em Dubai e outros bancos devem seguir o mesmo caminho. Cristiana comentou que a própria CVM pretende realizar em junho, no Brasil, um seminário sobre finanças islâmicas, modalidade de negócios que cresce não só nos países árabes, mas ao redor no mundo e ainda é pouco explorada no Brasil, exceto por instituições como o Banco ABC, que tem capital majoritariamente árabe.
O programa
O BEST, segundo Cristiana, surgiu da necessidade de um esforço coordenado das entidades do mercado de capitais para divulgar os avanços ocorridos no Brasil nos últimos anos, que incluem nova infra-estrutura de negócios, regras mais modernas, amplo uso de tecnologia e ampliação dos níveis de governança corporativa. “Essas mudanças eram pouco conhecidas lá fora e havia necessidade de um esforço coordenado”, disse. “Precisávamos ser uma fonte de informação completa para o investidor”, acrescentou.
Hoje os investimentos estrangeiros representam cerca de 35% do volume médio diário de negócios da Bovespa, que gira em torno de US$ 3,5 bilhões. Além dos seminários, o BEST disponibiliza uma série de informações em seu website (www.bestbrazil.org.br).

