Isaura Daniel
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São Paulo –O Brasil vai ajudar o Líbano a reciclar entulho para usar na construção de estradas e casas. A informação é de Luiz Felippe Pinheiro Júnior, gerente nacional de Relações Internacionais da Caixa Econômica Federal. O banco foi designado pelo governo brasileiro para levar o projeto de cooperação com o Líbano neste segmento adiante, depois que uma missão brasileira que foi ao país árabe em outubro do ano passado discutir as possibilidades de cooperação do Brasil na reconstrução local.
A Caixa, em função da sua atuação em financiamento à habitação, tem uma divisão de engenharia que estuda maneiras de baratear as construções. A idéia é diminuir os custos de projetos que o banco financia, principalmente para pessoas de baixa renda. O uso de entulhos – restos de edificações demolidas ou destruídas – já é feito no Brasil. De acordo com Pinheiro Júnior, é possível utilizar, por exemplo, o concreto como sub-base para estradas e transformar os blocos de cerâmica em novos blocos para uso em unidades habitacionais.
A Caixa participou da missão organizada pelo Itamaraty que contou também com a participação de outros órgãos governamentais e da iniciativa privada, como a Câmara de Comércio Árabe Brasileira. Os interlocutores, no lado libanês, foram o Ministério de Relações Exteriores e o Ministério da Administração. Este último é quem está levando o projeto de cooperação na área de construção adiante ao lado da Caixa. Os libaneses estiveram no Brasil em maio e conheceram de perto, em visitas a projetos como usinas de reciclagem, como o Brasil reaproveita materiais na construção.
O próximo passo será, segundo Pinheiro Júnior, formatar uma metodologia adequada ao Líbano. A Caixa também deve transferir ao Líbano a sua experiência com o correspondente bancário, sistema pelo qual estabelecimentos comerciais cumprem funções de banco, com recebimento de pagamento de contas, pagamento de benefícios, abertura de contas e fornecimento de crédito para população de baixa renda. Um dos principais objetivos do corresponde bancário é incluir na rede bancária a população carente, de regiões que não têm infra-estrutura na área.
Na visita de representantes do Ministério da Administração do Líbano ao Brasil, em maio, o grupo também conheceu as operações da Caixa com correspondente bancário. Nessa área também deve ser desenvolvido um projeto para adequação do serviço ao Líbano. Os libaneses que estiveram no Brasil ficaram de apresentar a experiência brasileira para o Banco Central do país árabe para verificar a sua viabilidade no país. Os libaneses, segundo Pinheiro Júnior, também ficaram interessados no pregão eletrônico e certificação digital utilizados pela Caixa. As duas tecnologias seriam usadas pelo governo do Líbano.

