Alexandre Rocha
São Paulo – Está aumentando a participação dos países árabes como destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos. De acordo com informações divulgadas ontem (02) pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o setor exportou o equivalente a US$ 15,6 milhões para a Arábia Saudita no primeiro semestre do ano, um crescimento de 310% em comparação com os US$ 3,8 milhões do mesmo período de 2004.
O aumento das vendas para a Argélia foi ainda mais expressivo, de mais de 23 vezes. O valor dos embarques saiu de uma base baixa, de US$ 343 mil nos primeiros seis meses do ano passado, para quase US$ 8 milhões no mesmo período deste ano.
A Arábia Saudita e a Argélia ficaram, respectivamente, na 33ª e na 47ª colocações entre os 50 principais mercados das mercadorias brasileiras. Outro país da região, os Emirados Árabes Unidos, aparece na 34ª posição no semestre, com importações no valor de US$ 15,4 milhões. Houve, no entanto, uma redução em comparação com o mesmo período do ano passado, quando as vendas renderam US$ 17,5 milhões.
Para o presidente da Abimaq, Newton de Mello, o mercado árabe é “importante” e está sendo desbravado graças à parceria entre a associação e a Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex) para a divulgação dos produtos do setor no exterior.
Ontem mesmo Mello e o presidente da Apex, Juan Quirós, assinaram um novo convênio, no valor de US$ 2,5 milhões, para promover a participação de 41 empresas brasileiras em oito feiras internacionais. Um destes eventos é a Saudi Agriculture, feira de implementos agrícolas que será realizada em Riad, capital da Arábia Saudita, em setembro.
“As máquinas agrícolas estão sendo exportadas com sucesso para a Arábia Saudita. Com tecnologias exaustivas de irrigação, eles estão estimulando a agricultura”, disse Mello, acrescentando que a demanda por implementos causou surpresa num primeiro momento, dado o clima desértico do país.
De acordo com o presidente da Abimaq, além das máquinas agrícolas, há nos países árabes demanda por equipamentos para irrigação, para o tratamento de água e esgoto, para o setor de petróleo e gás, máquinas para a indústria plástica e máquinas-ferramenta, como tornos e fresas. “Há bastante demanda para as máquinas-ferramenta inclusive por escolas técnicas”, declarou.
Conquista do primeiro mundo
No total, os embarques do setor renderam US$ 4,1 bilhões no primeiro semestre, contra US$ 2,95 bilhões no mesmo período do ano passado, um crescimento de 39%. Os principais destinos foram os Estados Unidos, Argentina, México, Alemanha, Reino Unido, Chile, China, Itália, Venezuela e França.
A presença de países como Estados Unidos, Alemanha e Itália entre o mercados mais importantes é considerada uma vitória para o setor. Isto porque, de acordo com Mello, ao contrário de países latino-americanos, como Chile e México, que sempre viram os produtos brasileiros como de boa qualidade, os mercado do primeiro mundo não tinham esta visão. “Para competir nós tivemos que apresentar um preço equivalente ao dos produtos asiáticos, com uma qualidade maior do que a deles”, disse.
Para tanto, o setor tem se valido dos convênios com o governo federal, por meio da Apex, que incluem inclusive o marketing dos produtos no exterior. “Hoje em todos os lugares em que vamos, o Brasil é considerado um parceiro”, disse Quirós. “Temos uma boa relação custo-benefício, com tecnologia agregada e preços competitivos”, acrescentou.
Já as importações de bens de capital aumentaram em 29%, passando de US$ 3,12 bilhões para pouco mais de US$ 4 bilhões. No primeiro semestre a balança comercial do setor foi levemente superavitária para o Brasil, o que é um fato raro de ocorrer, uma vez que, geralmente, ela é deficitária. “É um fato inédito”, disse Mello.
Ao mesmo tempo, o faturamento total do setor, que inclui as exportações e as vendas no mercado interno, chegou a R$ 26,7 bilhões, ante R$ 20,6 bilhões nos primeiros seis meses de 2004, um crescimento de 29,5%. Segundo Mello, o mercado interno absorve 60% da produção. O restante é exportado.
O setor brasileiro de máquinas e equipamentos conta com 4,5 mil empresas e produz 4,2 mil tipos diferentes de produtos. O número de empregos chegou a 212.991 no dia 30 de junho de 2005, ante 200.473 em 30 de junho do ano passado.

