Alexandre Rocha
São Paulo – As exportações brasileiras de café verde para os principais mercados compradores do mundo árabe aumentaram em setembro. Foram embarcadas 87 mil sacas de 60 quilos ante 77,6 mil em agosto, sendo que as receitas obtidas passaram de US$ 7,5 milhões para US$ 9,4 milhões. Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
No mesmo período, as exportações brasileiras de café como um todo sofreram uma retração de 2,8 milhões para 2,5 milhões de sacas. Os motivos, de acordo com o Cecafé, foram o congestionamento e atrasos de navios no porto de Santos e a falta de contêineres nos portos de Vitória, no Espírito Santo, e do Rio de Janeiro. O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo.
"Nos embarques para mercados tradicionais, como Europa e Estados Unidos, nós tivemos alguns problemas com o tráfego de navios e a falta de contêineres", disse à ANBA o diretor-geral do Cecafé, Guilherme Braga. Tais problemas, no entanto, não afetaram os embarques ao Oriente Médio e Norte da África.
Ao mesmo tempo, Braga acredita que a formação de estoques que tradicionalmente ocorre antes do Ramadã, período sagrado para os muçulmanos, influenciou positivamente as vendas para a região nos últimos meses. O Ramadã começou no final de setembro e vai até o final deste mês. "Enquanto que para outros mercados os embarques são sempre constantes, para o mundo árabe existem épocas em que os volumes comercializados são maiores", afirmou Braga.
As exportações para os árabes cresceram também quando comparadas com as vendas de setembro do ano passado, quando foram embarcadas 71,6 mil sacas a US$ 6 milhões. Os principais destinos na região são Líbano e Síria, seguidos de Tunísia, Argélia, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Egito.
No acumulado do ano, no entanto, ocorreu uma redução nos embarques para os árabes. Foram 637 mil sacas entre janeiro e setembro de 2005, contra 540 mil no mesmo período deste ano. As receitas com as vendas para a região, por sua vez, passaram de US$ 53,7 milhões para US$ 51,3 milhões. As vendas totais de café brasileiro no período somaram US$ 2,2 bilhões.
Previsão de crescimento
De acordo com Braga, a redução no acumulado do ano se deve ao desempenho do primeiro semestre, quando foi vendida a safra anterior de café, de 32 milhões de sacas, menor do que a que está sendo comercializada agora, de 44 milhões de sacas. Ele acredita que o cenário será invertido e as vendas externas vão fechar o ano em alta. "No primeiro semestre nós exportamos 11,5 milhões de sacas. Para o segundo semestre, as estimativas apontam para a venda de 15,5 milhões de sacas", afirmou.
Embora as vendas para os árabes sejam percentualmente pequenas, Braga diz que a região é um bom mercado. De acordo com ele, os árabes consomem até mais café brasileiro do que mostram os números. Isto porque muitas vendas não são feitas diretamente do Brasil, mas por meio de intermediários na Europa.
Geralmente, quem importa o café verde diretamente são indústrias de grande porte, que têm escala de produção. "Existem empresas menores que se abastecem por meio de intermediários. Elas passam a comprar da origem quando ganham escala de produção e o preço do frete fica diluído por causa da quantidade comprada", concluiu o diretor do Cecafé.

