Agência Brasil
Brasília – O Brasil apresenta hoje (16), durante a 5ª sessão do Comitê de Revisão da Implementação Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, duas de suas contribuições no combate à degradação permanente do solo.
A primeira é um relatório de implementação do Programa Nacional de Combate à Desertificação (PAN). A outra é um atlas das áreas suscetíveis à desertificação, segundo informou o secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, João Bosco Senra.
Representantes dos 191 países signatários da Convenção da ONU de Combate à Desertificação, que vigora desde 1996, participam dessa reunião, que será realizada até quarta-feira (21) em Buenos Aires, na Argentina. O comitê é responsável por avaliar como os países signatários implementam as políticas contra esse problema.
O relatório sobre o PAN, elaborado durante três anos pelo Ministério do Meio Ambiente, tornou-se, segundo o secretário, referência internacional, principalmente por ter sido elaborado de forma participativa e de ter contado com a integração dos governos federal e estadual.
"Ele [o relatório] apresenta as ações que o governo brasileiro como um todo vem desenvolvendo na região do Semi-Árido e nas áreas suscetíveis à desertificação. Isso resultou em melhoria das condições de vida da população e vem contribuindo para reduzir a pressão sobre o meio ambiente e sobre o processo que causa desertificação", explicou Senra, em entrevista à Agência Brasil.
O atlas, por sua vez, traça o perfil das regiões brasileiras sujeitas a esse tipo de degradação. Essas áreas se concentram em Minas Gerais, Espírito Santo e nos nove estados nordestinos, que juntos abrangem mais de 1.400 municípios com processo de desertificação, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente. "São mapas fundamentais para o país poder avançar nessa perspectiva. Eles tratam dos aspectos ambientais, demográficos, da questão do desenvolvimento humano, da produção agrícola e pecuária, bem como do extrativismo nessa região", comenta João Bosco Senra.
Segundo o secretário, a principal causa de desertificação no Brasil é o uso inadequado do solo e das águas, que contribui para a aceleração do processo de erosão. De acordo com o ministério, mais de 1 bilhão de pessoas vive em regiões áridas e semi-áridas, e 32 milhões de brasileiros moram em áreas que podem se tornar desérticas.

