Alexandre Rocha
São Paulo – O Brasil importou o equivalente a US$ 6,082 bilhões em novembro. O valor é um recorde mensal histórico e representa um aumento de 42,7% sobre novembro de 2003 e de 4,2% em comparação com outubro deste ano. O recorde anterior havia sido atingido em julho de 1997, quando as compras externas bateram em US$ 5,955 bilhões. As informações foram divulgadas ontem (01) pela Secretária de Comércio Exterior (Secex), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Entre os fornecedores, a região que mais cresceu foi o Oriente Médio, que vendeu o equivalente a US$ 324 milhões ao Brasil, ante US$ 146 milhões no mesmo mês de 2003, o que significa um aumento de 122%. Em suas estatísticas, a Secex considera como parte do Oriente Médio os países árabes Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Iraque, Jordânia, Líbano, Omã e Síria, além de Israel e Irã, que não são nações árabes.
Na avaliação do vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, o volume recorde de importações reflete a retomada do crescimento econômico do país, além do aumento dos preços do petróleo no mercado internacional. Segundo dados divulgados na quarta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 5,3% nos três primeiros trimestres do ano, em comparação com o mesmo período de 2003.
Segundo a Secex, as compras que mais aumentaram foram as de combustíveis e lubrificantes (83,6%). "No grupo combustíveis, o crescimento ocorreu, sobretudo, pelo aumento do preço do petróleo e das maiores compras de óleos combustíveis", diz nota divulgada pelo governo.
Mas, segundo a secretaria, houve crescimento das importações em todas as categorias de produtos, como bens de consumo (43,1%), matérias-primas e intermediários (39%) e bens de capital (28,1%).
"O Brasil aumentou fortemente suas exportações de produtos manufaturados. Automaticamente isso fez com que crescessem as importações de matérias-primas e bens intermediários", disse Castro. Entre janeiro e novembro de 2003 e o mesmo período deste ano, a participação dos produtos manufaturados na pauta de exportações brasileiras passou de 53,9% para 54,1%.
No que diz respeito aos bens de consumo, Castro disse que uma "taxa de câmbio mais convidativa", ou seja, a valorização do real frente ao dólar, fez com que as importações aumentassem. Na quarta-feira, a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 2,717, o menor patamar desde junho de 2002.
"Com o dólar desvalorizado, evidentemente os importadores antecipam suas compras. Além disso o crescimento econômico provoca um aumento da demanda. Isso é cíclico", acrescentou o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), Michel Alaby, que também é presidente da Associação de Empresas Brasileiras para a Integração de Mercados (Adebim).
No quesito "bens de capital", Castro acreditava que o crescimento das importações seria até maior, dada a retomada do crescimento econômico brasileiro e a necessidade das empresas investirem em máquinas e equipamentos para ampliar sua capacidade produtiva.
Ele acrescentou que, tradicionalmente, as importações costumam aumentar em novembro, por causa da proximidade das festas de final de ano e o conseqüente aumento do consumo. "Não chegou a ser uma surpresa. A tendência é que em dezembro haja um desaquecimento. No entanto, em 2005 as importações devem crescer num patamar mais elevado do que as exportações, já que as vendas externas cresceram de maneira muito forte em 2003 e 2004 e as compras ficaram praticamente paradas", declarou o vice-presidente da AEB.
De janeiro a novembro, as importações brasileiras somaram US$ 57,084 bilhões, um recorde para o período e superior em 28,9% ao valor registrado nos primeiros 11 meses do ano passado. Novamente houve aumento das compras em todas as categorias de produtos, como combustíveis e lubrificantes (52,2%), matérias-primas e intermediários (30,8%), bens de consumo (23,8%) e bens de capital (16,7%).
A África foi a região que mais cresceu como fornecedora do país no período (81%), por causa do petróleo. Países africanos como a Argélia e a Nigéria estão entre os maiores fornecedores da commodity para o Brasil. Já as vendas do Oriente Médio aumentaram 39,1%, não só por causa dos combustíveis, mas também pelo aumento das compras de fertilizantes e produtos químicos.
Vendas externas
As exportações, no entanto, continuaram a crescer em relação ao ano passado, mas diminuíram em comparação com outubro. Os embarques renderam US$ 8,159 bilhões em novembro, um recorde para meses de novembro, e aumentaram 36,4% em comparação com o mesmo período do ano passado. O valor, porém, é 7,7% menor do que o registrado em outubro.
"O ritmo das exportações normalmente diminui nesta época pois começa o inverno no hemisfério norte e lá os estoques para o final do ano são formados até outubro. Em janeiro e fevereiro são feitas as grandes liquidações e, em março, as exportações recomeçam de maneira mais firme, com a retomada da safra agrícola", disse Michel Alaby. "Mas exportações continuam num ritmo bom, acima dos US$ 8 bilhões", acrescentou Castro. O saldo da balança comercial, no mês, ficou favorável ao Brasil em US$ 2,077 bilhões, também um recorde para meses de novembro.
Houve uma redução de 5,1% nas exportações para o Oriente Médio em novembro. "A redução das vendas para o Oriente Médio está relacionada à menor demanda por óleo e farelo de soja, uma vez que elevaram-se as exportações de carnes, ônibus, autopeças, veículos de carga, soja em grão, minério de ferro, aparelhos de terraplanagem, café em grão e fumo", diz nota da Secex.
No acumulado do ano, porém, os embarques para a região cresceram 36,1%. Já para a África houve um crescimento de 91,5% nas exportações em novembro e de 48,8% nos 11 primeiros meses de 2004.
Entre janeiro e novembro, as exportações renderam US$ 87,28 bilhões, o que representa um aumento de 31,6% em comparação com o mesmo período do ano passado. O saldo da balança comercial ficou favorável ao Brasil em US$ 30,196 bilhões.
Previsões
De acordo com Castro, a AEB prevê que as exportações vão superar a marca de US$ 95 bilhões até o final do ano e talvez chegar a US$ 96 bilhões. Já o governo estima que os embarques vão somar US$ 94 bilhões. O superávit da balança, segundo Castro, deverá superar os US$ 32 bilhões e talvez chegar a US$ 33 bilhões.

