São Paulo – O seminário “Turismo e negócios internacionais: Brasil e países árabes” apresentou nesta sexta-feira (20) as oportunidades e desafios para o setor no Brasil. No encontro, organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, o secretário nacional de Infraestrutura, Crédito e Investimentos no Turismo, Carlos Henrique Menezes Sobral, apresentou os dados do setor e onde estão as oportunidades no País: em 2025, o Brasil recebeu o recorde de 9,3 milhões de turistas estrangeiros, que gastaram quase US$ 8 bilhões. Neste ano, disse Sobral, o fluxo de estrangeiros deverá passar de dez milhões.
Do evento participaram o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, e, por vídeo gravado, a secretária-geral da ONU Turismo, Shaikha Al Nuwais, além do presidente da Câmara Árabe, William Adib Dib Junior, e o vice-presidente de Relações Internacionais e secretário-geral da instituição, Mohamad Orra Mourad. Após mensagens de Feliciano e de Dib, Sobral abriu o primeiro painel do encontro: “Portfólio de investimentos & portal e guia de investimentos pelo Ministério do Turismo”.

O governo brasileiro, afirmou Sobral, tem projetos de ampliação da infraestrutura turística, linhas de crédito para o setor e busca aportes estrangeiros. “O foco é buscar investimento privado para o turismo. O Brasil está sendo visto como um país que recebe investimentos. Grandes redes hoteleiras investem no País, em projetos no Nordeste, em São Paulo. Temos demanda crescente, projetos estruturantes e oportunidades”, disse.
O chefe da área de Multinacionais e da divisão Mena no Banco ABC, com sede no Bahrein, Fernando Masuela, afirmou que o turismo no Brasil tem um grande potencial de crescimento, porém ainda é “subexplorado”. Masuela afirmou que há uma tendência de crescimento do setor nos próximos anos porque o Brasil tem dimensões continentais e diversidade cultural. Citou como segmentos com potencial de expansão o turismo de luxo e de experiências e os investimentos em infraestrutura logística. “O potencial de crescimento [do turismo] é brutal, mas precisa de capital de bancos de investimento”, afirmou.
Do segundo painel, “Pontes aéreas globais: conectividade logística e o fluxo de investimentos entre o Brasil e o mundo árabe” participaram representantes de órgãos de turismo e da Royal Air Maroc. O consultor da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo e da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade do Estado de São Paulo (Invest SP), Luis Sobrinho, apresentou a infraestrutura do estado, assim como as possibilidades para desenvolver o turismo paulista.
O representante do escritório de turismo do Marrocos no Brasil, Mohamed Amine Eljoudani, retratou a experiência da instituição no País. O Marrocos, disse, decidiu ampliar a captação de turistas no pós-pandemia em mercados que tinham grande poder de compra ou estavam em grande expansão. Assim, abriu escritórios no Japão, Coreia do Sul, Índia e Brasil, em São Paulo. Em 2023, disse, o Marrocos recebeu 34 mil turistas brasileiros, número que se aproximou de 60 mil em 2025.
“O Brasil é um mercado resiliente, estamos seguros de que esta trajetória de crescimento continuará nos próximos anos”, disse. Amine lembrou que a instituição se colocou ao lado da indústria turística brasileira e promoveu viagens ao Marrocos e treinamentos para que os agentes de viagens pudessem “vender” o destino Marrocos aos seus clientes.

Outro motivo que levou a um aumento de intercâmbio de viagens entre brasileiros e marroquinos, disse o diretor regional da Royal Air Maroc para América do Sul, Othman Baba, foi o estabelecimento e ampliação dos voos da companhia aérea ao País. Após interromper suas operações no Brasil na pandemia, a companhia aérea voltou a voar para o Brasil em 2024 e, já no ano seguinte, ampliou a frequência de três para quatro voos semanais.
Tal incremento, disse o executivo, aumentou a oferta de assentos para 130 mil por ano, ante 85 mil quando voava a São Paulo três vezes por semana. “Temos observado uma mudança no perfil do passageiro, agora formado por mais empresários, missões comerciais”, disse Baba. Ele também compartilhou o perfil do viajante árabe: busca destinos exclusivos, experiência de viagem completa e alto padrão. “Por isso, investimos em conectividade”, disse, citando os voos de conexão com o mundo árabe a partir de seu hub em Casablanca.
O secretário municipal de turismo de Foz do Iguaçu, no Paraná, Jin Bruno Petrycoski, disse que seu município está investindo na atração de turistas islâmicos. A cidade é lar de uma grande comunidade muçulmana. Entre os investimentos estão o guia de turismo halal, lançado em 2024 e que apresenta destinos halal na cidade e a futura criação de um bairro árabe. Além disso, afirmou, Foz está investindo para atrair voos de companhias internacionais.
Além de Dib e Mourad, a Câmara Árabe foi representada, no seminário, pelo tesoureiro Mohamad Abdouni Neto, e pelos diretores estatutários Claudia Yazigi Haddad, William Atui e Arthur Jafet.


