São Paulo – O governo brasileiro condenou “a brutalidade da repressão no Egito” em nota divulgada pelo Itamaraty na noite de quarta-feira (14). Sob o pretexto de liberar áreas do Cairo ocupadas há semanas por partidários do presidente deposto Mohamed Morsi, a polícia reprimiu os manifestante com violência. Os conflitos daí resultantes resultaram em mais de 500 mortos em diferentes pontos do país. O número foi divulgado pelo próprio governo egípcio interino.
Para o Itamaraty, “a escalada da violência e a repressão aos manifestantes no Egito representam séria degradação da situação de segurança em um país-chave para a estabilidade da região”. Morsi foi derrubado por um golpe militar em julho, quando completava um ano de governo. Membro da Irmandade Muçulmana, grupo político de orientação islâmica, ele foi o primeiro presidente do país eleito democraticamente.
O Brasil, segundo o comunicado, “conclama ao diálogo e à reconciliação para que as justas aspirações da população egípcia por liberdade, democracia e prosperidade, expressadas na Revolução de 25 de janeiro, possam ser alcançadas sem violência, com respeito aos direitos humanos e com o retorno à plena vigência da ordem democrática”. A revolução de 25 de janeiro de 2011 foi o levante popular que pôs fim aos quase 30 anos do regime de Hosni Mubarak.
O Itamaraty informou ainda que a embaixada do Brasil no Cairo “está atenta à situação da comunidade brasileira no Egito e alerta para a insegurança no país”.

