São Paulo – Começa em setembro mais uma fase do projeto brasileiro de treinamento de argelinos na produção de joias. A Associação Brasileira dos Pequenos e Médios Produtores de Gemas, Joias, Similares, Mineradores e Garimpeiros (Abragem) realizou a primeira parte de uma capacitação na área no final do ano passado e dará seguimento à iniciativa daqui cerca de dois meses. O foco desta segunda etapa será a lapidação.
A primeira parte do curso foi focada em gemologia, com noções gerais sobre o tema, e teve como professor um dos maiores especialistas do Brasil na área, Pérsio de Moraes Branco. A abertura do treinamento foi celebrada e teve inclusive a presença de ministros do país, segundo o presidente da Abragem, Harilton Carlos de Vasconcelos Sobrinho, que acompanhou Branco na viagem. Participaram 20 alunos de várias regiões da Argélia.
Entre os participantes estiveram desde pessoas que já trabalham com joalheria, principalmente com corais, até artesãos de áreas como couro e artesanato de metal. Segundo Branco, as pedras preciosas são, em grande parte, um mundo novo para eles. Segundo Branco, o nível dos alunos era muito heterogêneo. “Havia entre eles um professor com livros publicados sobre joias de ouro e outros com muita experiência prática. Esta experiência, porém, era, sobretudo, com metais, alguns com coral”, relata Branco.
Esse mesmo grupo receberá o novo treinamento. Desta vez quem o dará serão quatro técnicos associados à Abragem. O objetivo é que esses profissionais argelinos se capacitem para depois repassar seus conhecimentos em uma escola que a Argélia vai construir com esse foco. O treinamento do ano passado, bem como este próximo, será dado em um espaço cedido pela Organização Regional de Geologia e Minas (ORGN), em Tamanrasset, no sul argelino.
A próxima capacitação terá duração de três meses. De acordo com Vasconcelos, será abordada lapidação facetada, também conhecida como mecânica, e lapidação artesanal. Metade da turma receberá as aulas em uma área e a outra metade em outra. A lapidação facetada é aquela feita com as máquinas, já na artesanal há mais necessidade do uso da mão humana.
O projeto é uma iniciativa de cooperação entre os governos brasileiro e argelino. Ele é levado adiante, no Brasil, pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e executado pela Abragem. Na Argélia, quem cuida do tema é o Ministério do Artesanato. Quem o opera, no país árabe, é a Câmara de Artesanato de Tamanrasset. A segunda fase a princípio estava prevista para fevereiro, mas acabou sendo adiada por questões operacionais. Para que a próxima ocorra, em setembro, falta apenas, segundo Vasconcelos, a confirmação de detalhes sobre a tradução.
A iniciativa do projeto é levada adiante para que a Argélia aproveite o seu potencial na área e a profissionalize, abrindo assim um novo setor produtivo. “A Argélia tem longa tradição na confecção de joias com metais e outros materiais, mas com pouco uso de pedras preciosas. O país tem em seu território ocorrências de minerais passiveis de aproveitamento em joias, embora sejam quase todos minerais sem transparência, e este é um dos objetivos do governo argelino com o projeto em desenvolvimento com o Brasil”, relata Branco.


