São Paulo – A Petrobras, que regularmente compra petróleo bruto do mundo árabe, não fez importações do produto da região no mês de janeiro. Dados do sistema eletrônico do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior apontam que durante o ano passado as compras de óleo bruto do mercado árabe não foram menores do que US$ 145 milhões mensais, mas no primeiro mês deste ano não ocorreram.
Procurada, a Petrobras disse que não se pronuncia sobre o tema, por ser estratégico. Em dezembro do ano passado, as compras de óleo bruto árabe do Brasil alcançaram US$ 232,2 milhões, tudo da Arábia Saudita. Com a ausência do produto na balança, as compras gerais brasileiras da região caíram de US$ 590 milhões em dezembro para US$ 327 milhões em janeiro, com recuo de 35%. Houve, porém, compra de derivados da commodity.
O diretor da consultoria Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, Adriano Pires, não tem informações sobre os motivos da queda na importação do produto árabe, mas lembra que o Brasil está comprando menos petróleo em geral. “A nossa produção está crescendo. Em 2010 importamos mais diesel, mais gasolina, mais querosene de aviação do que petróleo”, afirma. E segundo ele, a tendência é essa, que se importe cada vez menos petróleo.
Quando entrar no consumo brasileiro também o petróleo do pré-sal, que é mais fino do que o atualmente produzido no Brasil, devem cair ainda mais as importações de petróleo. O óleo fino é justamente o que o país importa dos árabes. “Mas a produção do pré-sal deve vir com força só lá por 2014”, lembra Pires. Até que as refinarias em projeto no Brasil fiquem prontas, ainda vai continuar em alta a importação dos derivados em função da demanda forte.
De fato, no mês de janeiro houve uma queda nas importações brasileiras de petróleo bruto em geral, de US$ 775,7 milhões em dezembro para US$ 626,8 milhões, recuo de 23%. Três países que haviam vendido o produto para o Brasil em dezembro, não o fizeram em janeiro: Arábia Saudita, Argentina e Guiné Equatorial. Já fornecedores que não estavam na lista no mês entraram: Angola, com US$ 86 milhões, e Congo, com US$ 90 milhões.

