Marco Bahe
Recife – Uma das mais promissoras pesquisas mundiais para o desenvolvimento de uma vacina contra a Aids está sendo realizada pela Universidade Federal de Pernambuco, em parceria com a Universidade Paris 5. Na fase inicial, toda desenvolvida no Recife, 18 pacientes contaminados com o vírus HIV foram submetidos a três doses da vacina experimental. Apenas um dia após a imunização, a carga viral desses voluntários teve uma redução média de 80%. Em oito deles, a diminuição chegou a 90%. Dentro de dois meses um grupo de 40 pacientes vai receber uma dose mais potente, e uma nova fase da história contra a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida pode começar a ser escrita.
Feito a partir do vírus HIV inativado, o imunizante conta ainda com células dendríticas retiradas dos próprios pacientes. Essas células são encarregadas de apontar os invasores às células de defesa. Normalmente, o vírus da Aids consegue matá-las antes que executem sua tarefa. O objetivo da vacina é, justamente, impedir que isso aconteça.
Não se trata, contudo, de uma vacina destinada a evitar a contaminação pelo HIV. O objetivo do medicamente é terapêutico, ou seja, para tratamento dos pacientes soropositivos. "Nossa expectativa, na fase dois, é chegar perto de 100% de redução", informou o infectologista Luiz Cláudio Arraes, professor do Departamento de Medicina Tropical da UFPE, em entrevista ao Jornal do Commercio. Apesar do otimismo do pesquisador, a chegada desse medicamento ao mercado só deve acontecer dentro de 10 anos.
O estudo realizado no Brasil é o primeiro no mundo a apresentar resultados tão significativos. Índia e China também iniciaram testes de uma vacina, mas não se pode medir ainda os êxitos dessas pesquisas. Outras iniciativas, porém, se demonstraram animadoras. No final do ano passado, pesquisadores israelenses, do Hospital Universitário Hadasa de Jerusalém e do Instituto de Ciências Weizman, desenvolveram um medicamento destinado a fortalecer o sistema imunológico. A droga se propõe a reduzir as brechas aproveitadas pelas chamadas "doenças oportunistas".
A Aids é considerada a doença infecto-contagiosa que mais mata no mundo. A estimativa é que, em 2004, haviam 40 milhões de pessoas infectadas pelo HIV. No Brasil, entre 1980 e 2002, foram registrados 257 mil casos. Em outras épocas, doenças diferentes assustaram a humanidade. Na década de 1950, por exemplo, 50 milhões de pessoas tinham sido infectadas pela varíola. Hoje, essa doença é considerada erradicada no mundo.

