Da redação
São Paulo – O Brasil e a Alemanha poderão assinar um acordo na área de biodiesel e álcool combustível. Segundo informações divulgadas hoje (25) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, representantes dos governos dos dois países se encontraram esta semana em Nuremberg, na Alemanha, para discutir um projeto piloto de parceria na área.
Segundo o ministério, serão escolhidas duas cidades, uma na Alemanha e outra no Brasil, nas quais os veículos da frota pública (polícia ou corpo de bombeiros) serão abastecidos com etanol e biodiesel misturados, respectivamente, à gasolina e ao óleo diesel.
De acordo com o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Mário Mugnaini Jr., a Alemanha pode representar um grande mercado para os produtores brasileiros de álcool combustível e biodiesel. Segundo ele, o governo alemão aprovou recentemente a adição de 2% de biodiesel ao diesel derivado do petróleo, sendo que o percentual pode chegar a 5% no futuro.
Com a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, no último dia 16, o Brasil está na expectativa de se tornar um grande fornecedor mundial de combustíveis alternativos. O álcool já é utilizado em larga escala na frota brasileira de veículos há cerca de 30 anos. Fora os veículos movidos exclusivamente a etanol, o país conta com um grande número de carros "flex fuel", que funcionam tanto com gasolina, como com álcool, ou com qualquer mistura dos dois. Além disso, a gasolina utilizada na frota brasileira tem até 25% de álcool anidro em sua composição.
O país negocia atualmente o fornecimento do produto para o Japão, que autorizou a mistura de 3% de álcool anidro na gasolina. O objetivo é diminuir e emissão de gases poluentes para se adequar ao protocolo.
Na área de biodiesel, o Brasil já desenvolve pesquisas há cerca de 50 anos e este ano o governo autorizou a mistura de 2% do produto obtido de vegetais, como soja, mamona, palma e girassol, ao diesel derivado do petróleo. Vários projetos nesse setor estão sendo desenvolvidos atual mente no país.
Mugnaini acrescentou que os alemães têm interesse também em conhecer projetos existentes na região nordeste do Brasil, que produzem biodiesel a partir da mamona. "Eles (os alemães) valorizam muito projetos que têm o objetivo de fixar o homem no campo", disse o diretor da Camex.
Segundo o ministério do Desenvolvimento, a reunião da Comissão Mista Brasil-Alemanha, realizada em Nuremberg, teve a participação de mais de 30 representantes do setor privado brasileiro, além das presenças dos ministros da Agricultura, Roberto Rodrigues, e do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto.

