Doha – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (15º), no encerramento de seminário empresarial Brasil-Catar, em Doha, que os dois países passam pelo momento mais favorável para o desenvolvimento de negócios bilaterais. “Apesar das diferenças culturais e dos percursos históricos distintos, estou convencido de que as perspectivas para as nossas relações econômicas e comerciais nunca foram tão favoráveis”, afirmou.
Lula destacou que ambos os países saíram mais fortes da crise financeira internacional e têm boas previsões de crescimento para os próximos anos. Nesse sentido, o primeiro-ministro do Catar, Hamad Bin Jassem Al Thani, ressaltou que o orçamento do país para o biênio 2011/2012 “será o maior da história”.
O presidente brasileiro acrescentou que o Brasil esperar gerar 2,5 milhões de novos empregos formais em 2010 e a economia “vai crescer de forma sustentável”. Lula declarou que a resistência à crise mostrou que estratégia brasileira de diversificar suas parcerias econômicas tem dado certo. A aproximação com as nações do Oriente Médio se enquadra nessa lógica, segundo ele.
Lula destacou que o comércio entre o Brasil e o Catar cresceu dez vezes de 2003 a 2008, mas, “para continuar nesse ritmo, precisamos diversificá-lo por meio de parcerias produtivas em áreas estratégicas”.
Ele ressaltou que já “estão sendo estudadas possibilidades em setores de alto valor agregado como o de máquinas, instrumentos eletrônicos e veículos”. Segundo Lula, o Catar já conhece, por exemplo, o potencial da indústria aeronáutica brasileira, pois os pilotos militares do país treinam em aviões Supertucano, fabricados pela Embraer.
Para o presidente, o Brasil pode ser uma porta de entrada para o Catar na América do Sul e vice-versa. “Vocês, empresários, desempenham um papel crucial nessa aliança estratégica que queremos e vamos construir”, afirmou.
Lula disse que os governos já estão fazendo sua parte “construindo confiança” entre os dois países. Ele destacou ainda o início, em junho, de um vôo direto da Qatar Airways entre Doha e São Paulo. “Não temos mais motivos para deixar de investir nos contatos empresariais e no fluxo de turismo entre os dois países”, disse. O primeiro-ministro catariano acrescentou que existem “ótimas oportunidades para criar uma estratégia [de parceria econômica] em bases bastante sólidas”.
O seminário foi organizado pelos dois governos, pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira e pela Associação dos Empresários Catarianos (QBA, na sigla em inglês). “Temos certeza que com o empenho de nossos governos, juntamente com a iniciativa privada e com o suporte da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, atingiremos todo o potencial de nosso relacionamento”, destacou o presidente da Câmara Árabe, Salim Taufic Schahin.
Política
Após o encontro empresarial, Lula foi recebido pelo emir Hamad Bin Khalifa Al Thani em seu palácio (Amiri Diwan), em Doha. Os dois chefes de estado se reuniram e usaram boa parte do tempo para discutir assuntos políticos da região. Neste domingo, Lula estará no Irã para tratar, entre os outros temas, do programa nuclear do país.
Os dois países ainda assinaram acordos nas áreas cultural, esportiva, turística e de comunicação. Foram firmados também convênios entre a Câmara Árabe, a QBA e a Câmara de Comércio e Indústria do Catar.
Antes de deixar do país, na noite de hoje, Lula vai assistir ao primeiro tempo da final da Copa do Emir, campeonato local de futebol. A partida será entre os times Umm Salal e Al Rayyan. O último tem como treinador o brasileiro Paulo Autuori.
Ainda no seminário empresarial, Lula lembrou que o Catar é candidato a sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2022. A candidatura foi apresentada ontem à Federação Internacional de Futebol (Fifa). “Contem com o Brasil nessa empreitada”, declarou o presidente.

