Isaura Daniel, enviada especial
Brasília – O Brasil e os Estados Unidos estão trabalhando juntos para criar uma padronização mundial para o etanol, de acordo com informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Os dois países querem criar certificações de padrões para que o produto se torne uma commodity e possa ser negociado no mercado futuro. A idéia é definir, por exemplo, quanto o produto pode conter de resíduos, o quão puro deve ser, entre outras características, para ser aceito como etanol.
O Brasil produz o etanol a partir da cana-de-açúcar e os Estados Unidos a partir do milho. Juntos, os dois países são responsáveis por 70% da produção do etanol. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, acredita que o entendimento entre os dois países, maiores players deste mercado, vai criar um padrão que acabará sendo mundial. Norte-americanos e brasileiros começaram a conversar sobre o tema já em setembro do ano passado, em uma reunião no Brasil, e depois em novembro, nos Estados Unidos, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento.
Quem está levando as discussões técnicas adiante, no Brasil, é o Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industria (Inmetro), enquanto que nos Estados Unidos é o NIST, organismo similar do país. Cada um deles está neste momento, segundo a assessoria do Ministério do Desenvolvimento do Brasil, definindo o que é o etanol.
A cooperação entre os dois países, na área de etanol, é tema da visita que o subsecretário norte-americano para Assuntos Políticos, Nicholas Burns, está fazendo ao Brasil. Em um encontro com o governador de São Paulo, José Serra, na terça-feira (07), os dois conversaram sobre o tema e o subsecretário defendeu uma parceria estratégica dos dois países nesta área.
Burns também conversou sobre o tema com o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, na quarta-feira. Segundo os jornais brasileiros, o Brasil e os Estados Unidos decidiram escolher um país na América Central para desenvolver um projeto piloto de conversão do consumo de petróleo em etanol. O plano continuará a ser formatado pelos dois países.
O ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, também anunciou ontem o aumento de 10% na produção de etanol no Brasil neste ano de 2007. Hoje ela é de 16 bilhões de litros. Segundo Guedes, ela deve dobrar em dez anos.
Segundo o ministro Furlan, também na área de biodiesel estão sendo levadas adiante conversas para a padronização mundial. Neste caso, porém, a discussão é com a Europa que, assim como o Brasil, fabrica o produto. De acordo com ele, ela começou a ser feita com a Alemanha e a França, produtores do biodiesel. Mas esta negociação é mais inicial. Mesmo dentro da própria Europa, de acordo com o ministro, ainda não há uma padronização.

