Brasília – O Brasil e a Jordânia negociam formas de ampliar suas relações bilaterais. Esse foi um dos principais temas dos encontros que o chanceler jordaniano, Salaheddine Al-Bashir, teve ontem (15), em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
“Nós discutimos as relações bilaterais, o patamar em que elas se encontram e as esperanças de ampliá-las nas áreas política, econômica e cultural. Falamos também da importância da área de educação e da necessidade de cooperação no setor de energia”, disse Bashir à ANBA após o encontro com Lula no Palácio do Planalto.
Com Lula e Amorim, o chanceler jordaniano conversou também sobre a importância da iniciativa privada no aumento das relações bilaterais e sobre acordos que os dois países pretendem assinar. A viagem de Bashir é preparatória à visita do rei Abdullah II ao Brasil, programada para ocorrer em outubro.
“As relações comerciais já cresceram de maneira quase exponencial. Claro que elas são muito desequilibradas, são quase somente exportações brasileiras, mas é por isso que o presidente Lula encorajou que, quando o rei vier, ele traga um grupo de empresários. Nosso interesse é ter um comércio dinâmico, mas o mais equilibrado possível”, declarou Amorim após almoço no Itamaraty.
As exportações brasileiras ao país árabe renderam US$ 162 milhões no primeiro semestre deste ano, um aumento de 10% sobre o mesmo período de 2007. Os principais itens embarcados foram aviões da Embraer, frangos, açúcar, chapas e tiras de alumínio, café e carne bovina. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Já as importações de produtos jordanianos somaram apenas US$ 1,7 milhão nos primeiros seis meses de 2008, sendo que desperdícios e resíduos de alumínio foram de longe o principal item da pauta.
Para Amorim, os acordos que serão assinados durante a visita do rei vão ajudar a ampliar o comércio. Ele espera que sejam firmados tratados nas áreas agrícola, de energia e ciência e tecnologia. Na seara agrícola, a Jordânia é uma importante produtora de fertilizantes, produtos que o Brasil precisa importar grande quantidade. O país árabe, no entanto, não vende esse item ao mercado brasileiro.
“Eventualmente essas potencialidades vão ser mais exploradas, mas os governos precisam criar um marco regulatório pelo qual os empresários possam fazer suas previsões. Aí nós podemos pegar a comunidade empresarial pelas mãos e explorar com eles as oportunidades, porque eles são o motor real”, ressaltou Bashir, que defendeu também a ampliação das visitas de representantes dos altos escalões dos governos acompanhados de delegações empresariais. O próprio presidente Lula disse que pretende visitar a Jordânia.
Ainda na área comercial, a Jordânia assinou com o Mercosul um acordo marco para dar inicio às negociações de um tratado de livre comércio. Embora as tratativas sobre produtos e tarifas não tenham começado, Amorim acredita que elas não serão longas.
“Temos que organizar nossas reuniões de negociação para começar a trabalhar na liberalização. O Brasil está na presidência do Mercosul agora, então eu acredito que isso vai ajudar a irmos adiante. Vai tomar algum tempo, mas não necessariamente um longo tempo”, disse o chanceler brasileiro.
Palestina
Bashir acrescentou que os dois países deverão assinar um acordo também na área de consultas políticas. O processo de paz no Oriente Médio foi outro assunto de destaque nas reuniões que ele teve com Lula e Amorim.
Segundo ele, a comunidade internacional deve convocar as duas partes a cumprir os compromissos assumidos na conferência de paz realizada em Annapolis, nos Estados Unidos, em 2007. “Conversamos também sobre os acontecimentos no Iraque e no Líbano”, declarou.
Bashir comentou com Lula que o Brasil é muito bem quisto no mundo árabe e suas posições diplomáticas são respeitadas internacionalmente, daí a importância do apoio do país às negociações de paz. O ministro Amorim esteve na conferência de Annapolis.
No almoço no Itamaraty estavam presentes também o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr., o embaixador da Jordânia em Brasília, Ramez Goussous, e o cônsul honorário do país árabe em São Paulo, Mustapha Abdouni, que também é diretor da Câmara Árabe.

