São Paulo – O Brasil e a Jordânia assinaram 11 acordos de cooperação nos últimos anos e devem seguir estreitando as relações. É o que acredita o embaixador da Jordânia em Brasília, Ramez Goussous, que também é decano do Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil, e que deixa os dois cargos nos próximos dias. Em uma avaliação das relações da Jordânia com o Brasil, feita para a ANBA, Goussous demonstrou sua crença em uma aproximação ainda maior entre as duas regiões e afirma que dois ministros brasileiros, da Saúde e Agricultura, poderão visitar o seu país em breve para tratar de cooperação nestes segmentos.
A presidente Dilma Rousseff teve uma reunião com o rei da Jordânia, Abdullah II, em Lima, no Peru, no começo deste mês, durante a Cúpula América do Sul- Países Árabes (Aspa) e o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, foi recebido pelo líder jordaniano, em uma passagem pelo país árabe nesta terça-feira (16). De acordo com Goussous, uma das possibilidades discutidas com Patriota foi a ida dos ministros das pastas de Agricultura e Saúde ao seu país. Já em Lima, o rei Abdullah II falou a Dilma sobre a digitalização do sistema de seguridade social e atendimento em saúde, o que despertou interesse da presidente.
Goussous afirmou que o Brasil pode ajudar a Jordânia em áreas como agricultura e energia. Os dois países assinaram acordos em vários segmentos, grande parte deles durante a atuação do atual embaixador no Brasil. Em 2010, por exemplo, foi firmado acordo na área educacional, em 2008 foi criado um memorando de entendimento para consultas bilaterais. No mesmo ano também foi assinado acordo para cooperação científica e tecnológica. O rei Abdullah II esteve no Brasil durante a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Lula também visitou a Jordânia em seu mandato.
Apesar da aproximação que os dois países tiveram nos últimos anos, no entanto, Goussous acredita que há potencial para mais, não apenas na troca de conhecimento, mas também no comércio e nos investimentos. “Há muito o que fazer”, afirmou ele, sem deixar de lembrar que o comércio do Brasil com o mundo árabe como um todo avançou bastante nos últimos anos. “Nós temos que fazer um bom uso do que temos (relações com o Brasil) porque o Brasil é uma economia em ascensão, é a sexta economia do mundo, tem o melhor crescimento, a melhor maturidade e oportunidade no mundo”, disse o diplomata.
O comércio entre Brasil e Jordânia, diz ele, ainda é modesto, mas crescerá. No ano passado, as exportações do Brasil para a Jordânia somaram US$ 189 milhões. Neste ano até setembro elas estão em US$ 155 milhões. O Brasil vende para a região basicamente alimentos, como carnes e açúcar. Também exporta um pouco de grãos, café, papel e outros materiais. Já a Jordânia quase não envia mercadorias ao Brasil. Até setembro foi US$ 1,7 milhão, No ano passado todo foi US$ 1,6 milhão. Fertilizante foi o principal produto jordaniano comprado pelo Brasil neste ano.
Goussous, que é embaixador da Jordânia no Brasil há seis anos, afirma que o Brasil é o futuro. Segundo ele, o papel do Brasil, atualmente um player mundial importante, também foi discutido nas reuniões entre as lideranças brasileiras e jordanianas nos últimos dias. Os encontros tidos, afirma o diplomata, refletem o interesse que há atualmente entre as duas regiões. “O Brasil está no meu coração”, despede-se ele.
Goussous foi homenageado pela diretoria da Câmara de Comércio Árabe Brasileira com um jantar de despedida nesta terça-feira no restaurante Fasano, em São Paulo. Em seus seis anos em Brasília, Goussous, por meio da embaixada, realizou trabalhos em parceria com a entidade em várias oportunidades. O presidente da Câmara Árabe, Salim Taufic Schahin, deu de presente ao diplomata uma bandeja de prata com dizeres que remetem a esse relacionamento.

