São Paulo – O rei da Jordânia, Abdullah II, vai visitar o Brasil pela primeira vez nos dias 23 e 24 do próximo mês. Entre os compromissos previstos está a assinatura de acordos de cooperação entre os dois países em diferentes áreas. De acordo com o chefe da Divisão do Oriente Médio I do Itamaraty, Cláudio Nascimento, já estão na reta final de negociação três convênios nos segmentos de turismo, educação e consultas políticas.
O primeiro tem como objetivo incentivar o fluxo de turistas, incluindo até a possibilidade de criação de uma rota aérea entre os dois países, hoje inexistente; o segundo, que conta com a participação do Ministério da Educação, trata do intercâmbio na área, seja por meio da troca de professores ou experiências educacionais; e o último estabelece a abertura de um canal de comunicação entre as chancelarias das duas nações para troca de informações sobre questões regionais e internacionais.
Nascimento acrescentou que outros acordos estão sendo negociados, mas as conversas precisam avançar mais. Tais textos versam sobre temas como comércio, transporte marítimo, cooperação cultural e intercâmbio na área de tecnologia agrícola. “Estão sendo negociados acordos em todas as áreas que eles [os jordanianos] acenaram com interesse”, afirmou o diplomata.
Além da diplomacia, a viagem do rei terá também caráter comercial, uma vez que ele estará acompanhado de uma delegação empresarial disposta a negociar com o setor privado brasileiro. Nesse sentido, o Departamento de Desenvolvimento de Mercados da Câmara de Comércio Árabe Brasileira preparou um relatório com os principais destaques da economia jordaniana, que já está disponível no site da entidade (www.ccab.org.br).
O documento ressalta que apenas 3% do Produto Interno Bruto (PIB) da Jordânia vem do setor agrícola, dado o clima árido do país, e apenas um quarto da demanda por alimentos é suprida pela produção local. Daí o interesse dos jordanianos por tecnologia na área agrícola e pela importação de insumos para a indústria alimentícia.
O relatório destaca também que na indústria jordaniana estão em alta os ramos de cimento, aço, vidro, tintas, plásticos, fertilizantes, alimentos e medicamentos. A área de fertilizantes é especialmente importante para o Brasil, já que o país é um dos maiores produtores agrícolas mundiais, mas depende da importação de insumos para adubos.
Em crescimento
O levantamento da Câmara Árabe informa ainda que a economia da Jordânia cresceu em média 6% ao ano desde 2001, sendo que no ano passado o PIB ficou em US$ 18,4 bilhões, segundo estimativa da Economist Intelligence Unit (EIU), serviço de informações econômicas do grupo que edita a revista britânica The Economist.
Para este ano, o crescimento previsto é de 4,4%, com uma pequena melhora em 2009. Com uma população de 6,1 milhão de pessoas, o PIB per capita é de pouco mais de US$ 3 mil.
A Jordânia é também um dos países árabes que atualmente negocia um acordo de comércio com o Mercosul, além de Egito, Marrocos e do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC). O acordo-quadro que deu início ao processo foi assinado na última cúpula do Mercosul, em julho, e a primeira rodada de negociações vai ocorrer em outubro, antes da viagem do rei.
O Brasil exportou o equivalente a US$ 214 milhões para a Jordânia nos primeiros oitos meses deste ano, um aumento de 23,5% em comparação com o mesmo período de 2007. As principais mercadorias comercializadas foram aviões, vendidos pela Embraer à companhia aérea Royal Jordanian, carne de frango, açúcar, chapas e tiras de alumínio, café, carne bovina e chassis com motor para ônibus.
Entre os setores em franco desenvolvimento no país árabe estão os de transportes, telecomunicações, construção, indústria e turismo. Só para dar uma idéia, segundo o levantamento da Câmara, o turismo gerou receitas de US$ 2,7 bilhões em 2007 e o número de visitantes chegou a 6,7 milhões, mais do que no Brasil.
O estudo informa também que o país tem promovido oportunidades para investidores estrangeiros em segmentos como o farmacêutico, de tecnologias da informação e comunicação, de alimentos, cosméticos, têxtil e automotivo.
Entre os incentivos oferecidos pelo governo local aos investidores estão a isenção de tarifa de importação sobre bens de capital necessários ao funcionamento do negócio; redução de contribuições sociais para determinados tipos de projetos; isenção de imposto de importação para renovação de móveis e equipamentos em hotéis e hospitais a cada sete anos; direito do estrangeiro deter 100% do negócio; e livre remessa de capitais.

