Marina Sarruf
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São Paulo – A Theolia Mercados Emergentes, empresa da área de energia eólica do Marrocos, vai gerenciar as operações de uma companhia brasileira a partir de 2008. A companhia marroquina, com sede em Casablanca, será encarregada de coordenar uma unidade brasileira que vai trabalhar com o mesmo setor, geração de energia a partir do vento. A empresa marroquina e a brasileira pertencem à holding francesa Theolia. A companhia da França adquiriu as duas unidades recentemente e fará da empresa marroquina a sua base para as atividades em países emergentes, o que inclui o Brasil.
A estratégia do grupo francês, que atua no desenvolvimento, construção e na operação de fazendas de ventos, é expandir suas operações em países em desenvolvimento. "Nossa base na América do Sul será o Brasil e a partir dele queremos expandir nossas operações para Argentina, Chile e Uruguai", afirmou por telefone à ANBA o vice-presidente de operações do grupo Theolia, Arne Lorenzen.
No início de setembro, a Theolia comprou a maior fazenda de ventos do Marrocos, que foi a primeira aquisição do grupo em um país emergente. Localizada em Tetuán, no norte do país árabe, a fazenda possui 84 turbinas de vento, com capacidade total instalada de 50,4 megawatts (MW). Segundo Lorenzen, o escritório comercial da Theolia Mercados Emergente vai ser em Casablanca e de lá a empresa vai gerenciar suas futuras operações na Índia, Leste Europeu, África do Norte e Subsaariana e América do Sul. "Nossos projetos nessas regiões estão em fase inicial", acrescentou.
No Brasil, as fazendas de ventos compradas pelo grupo estão localizadas no Rio Grande do Sul. Segundo Lorenzen, elas pertenciam ao grupo alemão Natural Energy Corporation (Natenco), que desde dezembro do ano passado foi incorporado à Theolia. Além dessas, o grupo também tem projetos no nordeste brasileiro. Na fase inicial, as operações no país vão gerar 260 MW. "O Brasil tem um potencial muito grande de ventos. Atualmente, o país utiliza muita energia hidrelétrica, mas acredito que é preciso diversificar", disse Lorenzen.
De acordo com ele, a costa brasileira é um ponto chave para geração de energia eólica. "O Brasil é hoje como a França há oito anos e a Alemanha há 15", disse ele, que comparou o potencial eólico brasileiro. A França gera hoje cerca de 2 mil MW e a Alemanha, 20 mil MW. "Acredito que o Brasil tem um potencial ainda maior", disse. "Os países sul-americanos têm potencial de gerarem milhares de toneladas", acrescentou. Lorenzen acredita que as operações no Brasil devem começar no final de 2008 ou início de 2009. O objetivo da Theolia Mercados Emergentes é ter uma capacidade instalada de 600 MW até 2011.
O grupo
A Theolia é uma das maiores produtoras independentes de energias renováveis da Europa. Além da França, o grupo já tem operações na Alemanha, Espanha, Grécia e Leste Europeu. Segundo Lorenzen, a preocupação com o meio ambiente está crescendo e com isso há uma maior demanda por energias renováveis. A empresa também tem ações negociadas na bolsa de valores de Paris.

